Foto viral mostra visita do Papa ao Rio, não ato pró-Bolsonaro de 1º de maio

Foto viral mostra visita do Papa ao Rio, não ato pró-Bolsonaro de 1º de maio

Imagem viralizou fora de contexto para inflar manifestações de apoio ao governo federal durante o fim de semana

Pedro Prata

04 de maio de 2021 | 12h39

Uma foto tirada durante a visita do papa Francisco ao Brasil na Jornada Mundial da Juventude, em 2013, foi tirada de contexto nas redes sociais e é compartilhada como se mostrasse um ato de apoio a Jair Bolsonaro. A imagem viralizou no mesmo final de semana em que foram registradas manifestações em defesa do presidente.

Papamóvel pode ser visto na parte inferior da imagem. Foto: Reprodução

“O Brasil é verde e amarelo”, diz a postagem analisada pelo Estadão Verifica. Ela faz referência às cores normalmente vestidas pelos simpatizantes do governo em manifestações. Outras postagens trazem a imagem com a falsa alegação de que a foto mostraria “Copacabana hoje, 01/05/2021”. Esses posts foram compartilhados ao menos 6,8 mil vezes no Facebook.

A fotografia original está disponível no site da agência internacional de notícias Associated Press. Clicada pelo fotógrafo Felipe Dana em 28 de julho de 2013, a legenda informa que o papa Francisco acenava para peregrinos do papamóvel enquanto se dirigia para celebrar uma missa.

“Centenas de milhares de jovens dormiram sob o céu nublado nas areias de Copacabana enquanto esperavam pela última missa do papa na Jornada Mundial da Juventude”, informa a legenda. O papamóvel pode ser visto na parte inferior da foto.

Imagem mostra visita do papa, não ato pró-Bolsonaro. Foto: AP/Reprodução

Na missa, Francisco usou como exemplo o padre José de Anchieta, que se tornou missionário aos 19 anos, para incentivar os jovens a pregar o Evangelho. “A Igreja precisa de vocês, do entusiasmo, da criatividade e da alegria que lhes caracterizam”, falou.

 

Atos a favor de Bolsonaro no 1º de maio

O feriado de 1º de maio de 2021 realmente contou com manifestações a favor do presidente Jair Bolsonaro em algumas cidades do País, mas os atos não foram tão numerosos como os protestos pelo impeachment de Dilma. Neste sábado em São Paulo, os apoiadores fizeram críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao governador João Doria (PSDB) e às medidas de isolamento social de restrição do comércio durante a pandemia.

O Estadão Verifica desmentiu que a GloboNews tenha reportado que estas manifestações eram as maiores da história. Postagens que viralizaram com essa alegação usavam uma reportagem da emissora feita durante manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff em 2015.

Também não há fundamento para dizer que elas tenham levado 25 milhões de pessoas às ruas, tendo em vista que a Polícia Militar dos Estados não divulga este dado. Esse número se baseou em manchete falsificada de um portal de notícias.

Aos Fatos também checou este conteúdo.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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