Foto de saque é de 2015, anterior a protestos pela morte de George Floyd
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Foto de saque é de 2015, anterior a protestos pela morte de George Floyd

Imagem viralizou em publicações fora de contexto no Facebook

Estadão Verifica

08 de junho de 2020 | 18h25

É falso que a foto de quatro homens negros saqueando um estabelecimento comercial tenha relação com protestos pela morte de George Floyd. A imagem começou a viralizar no início de junho no Facebook.

O Estadão Verifica analisou que a imagem é verdadeira, mas o saque ocorreu em 27 de abril de 2015, em Baltimore, nos Estados Unidos, durante protestos após a morte de Freddie Gray, um jovem negro de 25 anos que foi espancado por policiais. A cena foi registrada pelo fotógrafo Jerry Jackson, do jornal The Baltimore Sun.

Foto: Reprodução/Facebook

Segundo o jornal norte-americano, os fotógrafos registraram alguns dos momentos mais intensos daquele dia de protestos. As imagens registram confrontos entre grupos de policiais e manifestantes, além de situações de saques em lojas e incêndios para mostrar “o que não se via há décadas” na região. 

A legenda original da fotografia informa que os saqueadores carregam produtos de uma farmácia entre as avenidas Pensilvânia e Norte durante a confusão. O The Baltimore Sun destacou que outras lojas também foram vandalizadas.

George Floyd, de 46 anos, foi asfixiado e morto pelo policial Derek Chauvin, que pressionou o joelho contra o pescoço de Floyd durante uma abordagem policial no dia 25 de maio, em Minneapolis, Minnesota. A morte comoveu os norte-americanos e desencadeou uma onda de protestos antirracistas em todo o mundo, com milhares de pessoas pedindo pelo fim da brutalidade policial.

No caso de Freddie Gray, os policiais envolvidos foram denunciados por assassinato, mas as acusações foram retiradas. Por sua vez, Derek Chauvin foi detido acusado de homicídio em segundo grau e sua fiança foi fixada em US$ 1,2 milhão. 

A AFP também checou esta imagem.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

Tudo o que sabemos sobre:

fake news [notícia falsa]

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.