Foto de protesto contra Dilma em Copacabana circula fora de contexto

Foto de protesto contra Dilma em Copacabana circula fora de contexto

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro compartilham a imagem como se mostrasse a manifestação de domingo em favor do 'voto impresso'

Samuel Lima

03 de agosto de 2021 | 19h13

Uma foto antiga de uma manifestação pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2015, está sendo compartilhada nas redes sociais como se mostrasse o ato recente de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro em favor da “PEC do voto impresso”. A proposta aguarda votação em uma comissão especial da Câmara e pede a adoção de um registro impresso do voto, a ser depositado em um equipamento acoplado às urnas eletrônicas.

Uma das versões da peça de desinformação acumulou 1,9 mil compartilhamentos no Facebook e afirmava, na legenda: “01/08/2021 Brava gente brasileira! Copacabana, RJ”. A imagem mostrada, no entanto, não foi tirada na ocasião. Ela circula nas redes há cerca de seis anos.

O Estadão Verifica encontrou uma série de postagens antigas a partir de pesquisas reversas de imagem em plataformas como Google e Yandex, com ajuda da ferramenta de checagem InVID. Não foi possível identificar a origem e a autoria da foto, mas ela viralizou a partir de 16 de agosto de 2015.

Essa é a data da terceira onda de protestos contra Dilma, em 2015, que pediu o afastamento da petista. Atos foram convocados em cerca de 250 cidades, levando cerca de 790 mil pessoas às ruas, segundo estimativas divulgadas pela Polícia Militar.

Entre os perfis que compartilharam a foto em agosto de 2015 está o do deputado federal Fernando Francischini (PSL-PR). O parlamentar não menciona a fonte da publicação.

Já a manifestação deste domingo, 1º de agosto de 2021, foi estimulada por sucessivas acusações de Bolsonaro sobre supostos casos de fraude nas urnas eletrônicas. Na semana passada, o presidente prometeu apresentar provas em uma transmissão pela internet, mas acabou apenas repetindo alegações falsas desmentidas anteriormente.

O ato pelo “voto impresso” também teve presença na orla da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Imagens verdadeiras da manifestação de domingo podem ser vistas nesta reportagem do Estadão.

Este boato também foi investigado por AFP Checamos, UOL Confere e Aos Fatos. As três iniciativas de checagem concluíram que as postagens são falsas.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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