Foto de manifestante agredindo policial foi tirada em 2010 na Grécia

Foto de manifestante agredindo policial foi tirada em 2010 na Grécia

Imagem foi alterada digitalmente para relacionar cena de violência a símbolo antifascista

Pedro Prata

08 de junho de 2020 | 19h01

Uma foto de 2010 foi alterada e tirada de contexto para atacar grupos contrários ao governo de Jair Bolsonaro que se manifestaram em cidades do País por dois finais de semana seguidos. A imagem mostra um homem agredindo com um bastão um policial caído e foi editada digitalmente para incluir o símbolo do movimento antifascista

A cena foi registrada pelo fotógrafo Milos Bicanski para a agência de fotografias Getty Images. A legenda diz que jovens entraram em confronto com a polícia grega em Atenas. Eles protestavam no dia em que completou-se um ano do assassinato a tiros de um menino de 15 anos pela polícia. A foto foi tirada em 6 de dezembro de 2010.

Na imagem que circula nas redes sociais, o símbolo do movimento antifascista foi inserido digitalmente para passar a impressão de que a imagem seja atual. Uma das publicações feita em 1º de junho foi visualizada por mais de 23 mil pessoas.

Foto: Reprodução

Em 31 de maio, grupos ligados a torcidas organizadas de Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo se juntaram na Avenida Paulista, em São Paulo, para entoar coro pela democracia e contra Jair Bolsonaro. Houve confronto com um grupo menor de apoiadores do presidente e a Polícia Militar dispersou os torcedores com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo.

Uma semana depois, os protestos contra Bolsonaro voltaram a acontecer, desta vez no Distrito Federal e em ao menos 11 capitais. Em sua maioria pacíficos, os atos tiveram maior volume em São Paulo. Após a manifestação terminar, a Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar um grupo que permanecia nas ruas e quebrou vidraças de agências bancárias.

O Estadão Verifica já checou boatos sobre as manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro. A foto de um grupo queimando uma bandeira do Brasil é de 2016, não do protesto das torcidas organizadas. Outra imagem, tirada em 2017, mostrava um policial recolhendo a bandeira brasileira do chão e também foi tirada de contexto.

O movimento conhecido como antifa (de antifascista) ganhou destaque nos protestos pela morte de George Floyd nos Estados Unidos. O presidente Donald Trump acusou pessoas supostamente identificadas com o grupo de serem responsáveis por atos de violência registrados em meio às manifestações majoritariamente pacíficas. O norte-americano falou também que classificará o movimento como “terrorista”.

No Brasil, Jair Bolsonaro chamou de “marginais” e “terroristas” os manifestantes contrários ao seu governo. Seguindo a tendência do presidente norte-americano, ao menos três deputados federais bolsonaristas apresentaram projetos de lei para enquadrar “antifas” na lei antiterrorismo. Já o deputado paulista Douglas Garcia (PSL) está sendo investigado pela Promotoria por divulgar dados pessoais de pessoas supostamente identificadas com o movimento.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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