Foto de imigrantes em alto-mar foi tirada na Itália, não na Grécia
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Foto de imigrantes em alto-mar foi tirada na Itália, não na Grécia

Postagem no Facebook relacionou imagem de 2017 a caso denunciado pelo 'The New York Times' de refugiados expulsos pelo governo grego

Pedro Prata

20 de agosto de 2020 | 18h02

Uma foto tirada em 2017, durante resgate de imigrantes na costa da Lampedusa, região da Itália, foi retirada de contexto por uma postagem viral no Facebook. A publicação, que foi compartilhada 1,9 mil vezes desde o dia 17 de agosto, diz tratar-se de “imigrantes abandonados no alto-mar pela Grécia“.

Usando o mecanismo de busca reversa do Google, foi possível identificar a foto em uma reportagem da CNN intitulada “Assim é cruzar a fronteira mais mortal do mundo”, de 31 de maio de 2017. A matéria é um relato do fotógrafo Chris McGrath sobre um resgate de imigrantes na região costeira da Lampedusa, na Itália. Ele é o autor das imagens.

Foto mostra o resgate de imigrantes na região costeira da Itália, em 2017. Foto: Reprodução

A foto está disponível no banco de imagens Getty Images desde 24 de maio de 2017. A descrição diz que mais de 500 pessoas estavam em um barco de madeira que virou. O autor da imagem estava a bordo do barco Phoenix, de uma ONG que resgata e presta apoio aos imigrantes.

“Passamos por corpos flutuantes, amarrando coletes salva-vidas a eles para que pudéssemos recuperá-los mais tarde”, lembrou o fotógrafo à CNN. Ele falou que toda a tripulação do Phoenix atuava no resgate, inclusive o cozinheiro do barco. “No final da tarde, o Phoenix tinha cerca de 600 pessoas a bordo e naquele ponto cerca de 32 mortos.”

Imagem está disponível no banco de imagens Getty Images desde 2017. Foto: Getty Image/Chris McGrath/Reprodução

Grécia expulsou imigrantes?

O jornal The New York Times publicou reportagem na sexta, 14, que expôs evidências de que a Grécia teria enviado ao menos 1.072 imigrantes em barcos para águas internacionais este ano. O jornal afirma que teve acesso a material comprobatório disponibilizado por três observadores independentes, por dois pesquisadores e pela guarda costeira da Turquia. O NYT também conversou com cinco pessoas que teriam passado pelo processo e analisou imagens e fotos fornecidas por eles.

A Grécia se tornou uma das principais portas de entrada dos imigrantes para a Europa desde a crise dos refugiados em 2015. Um porta-voz do governo negou ao NYT que autoridades tenham realizado qualquer “atividade clandestina”.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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