Foto de Carlos Bolsonaro com mesa de celulares é montagem
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Foto de Carlos Bolsonaro com mesa de celulares é montagem

Imagem ganhou impulso nesta semana após operação da Polícia Federal de nova etapa do inquérito das 'fake news'

Tiago Aguiar

28 de maio de 2020 | 17h37

É montagem uma foto em que o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos) aparece em frente a uma mesa com dezenas de celulares. A imagem manipulada obteve mais de 1,2 mil compartilhamentos no Facebook, em post que afirmava que “assim funciona o gabinete do ódio, escritório das fake news da Familícia (sic) Bolsonaro”. Leitores solicitaram a checagem deste conteúdo pelo WhatsApp do Estadão Verifica: (11) 99263-7900.

Por meio de ferramenta de busca reversa de imagem é possível verificar que a foto original mostra uma mulher em frente aos celulares. O Estadão Verifica não conseguiu determinar a autoria da foto, que circula ao menos desde 2015. A imagem ilustra a prática de “phone farming”, em que muitos celulares são usados para manipular índices de redes sociais, como números de reproduções de músicas e vídeos, avaliações de aplicativos em lojas virtuais ou postagens de hashtags para aumentar a relevância de determinados assuntos.

Reportagem de 2018 do jornal Folha de S. Paulo que relata fraude em  disparo de mensagens de WhatsApp na eleição presidencial de 2018 obteve imagens semelhantes de “phone farming”. A matéria não cita Carlos.

Reprodução: Facebook

Durante sessões da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, que investiga ataques cibernéticos que atentem contra a democracia e o espaço público, os deputados federais Joice Hasselmann (PSL-SP) e Alexandre Frota (PSDB-SP) acusaram Carlos Bolsonaro de comandar as ações do chamado “gabinete do ódio”. Este seria um grupo propagador de notícias falsas integrado por assessores especiais da presidência.

Nesta quarta-feira, 27, agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão no âmbito do inquérito das fake news. As ordens judiciais foram expedidas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Os alvos eram nomes ligados ao chamado “gabinete do ódio” e aliados do presidente Jair Bolsonaro.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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