Foto de execução no Irã circula fora de contexto nas redes sociais

Foto de execução no Irã circula fora de contexto nas redes sociais

Usuários compartilham vídeo de homem condenado por matar um juiz como se de uma vítima de intolerância religiosa

Pedro Prata

17 de novembro de 2021 | 10h13

Voltou a viralizar fora de contexto nas redes sociais a foto de um homem prestes a ser executado. As postagens afirmam se tratar de “condenado à morte na Síria por pregar o Evangelho”, o que é falso. O homem foi enforcado no Irã, acusado de assassinar um juiz. Essa postagem (veja aqui) foi compartilhada ao menos 3,9 mil vezes no Facebook.

Para identificar a origem da imagem, o Estadão Verifica utilizou o mecanismo de busca reversa do Google (veja aqui como você pode fazer). Ele permite ver outras vezes em que ela foi publicada.

Foto: Abedin Taherkenareh/EFE

Ela aparece em um blog alemão que afirma que o homem na foto seria Majid Kavoosifar, acusado de matar um juiz responsável pela prisão de dissidentes políticos. A foto é creditada à Agência de Notícias da República Islâmica (IRNA).

As informações sobre a morte de Kavoosifar são confirmadas por notícias da agência de notícias internacional Reuters e pelo jornal britânico The Guardian. As reportagens informam que a execução ocorreu em 2007, quando ao menos 150 pessoas foram condenadas ao enforcamento no Irã.

O governo acusava os condenados de serem criminosos, mas grupos opositores alertaram que parte deles seriam ativistas políticos.

Embora este caso não mostre uma execução motivada por intolerância religiosa, o Irã já teve episódios de perseguição a católicos. Um relatório da ONG Human Rights Watch, de 1997, já denunciava ataques a minorias religiosas no Irã. O texto destaca uma perseguição maior a grupos protestantes do que a outras variações do catolicismo, tendo em vista sua característica evangelizadora e as tentativas deste grupo de converterem muçulmanos.

Este conteúdo também foi checado por Lupa e India Today.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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