É falso que prefeito tenha tirado bomba d’água de poço inaugurado por Bolsonaro no RN
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É falso que prefeito tenha tirado bomba d’água de poço inaugurado por Bolsonaro no RN

Prefeitura instalou o equipamento na semana seguinte à realização da obra pelo Ministério do Desenvolvimento Regional

Pedro Prata

31 de agosto de 2020 | 16h59

É falso que o prefeito de Ipanguaçu, no sertão do Rio Grande do Norte, tenha retirado a bomba d’água de um poço artesiano inaugurado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O boato circulou depois de uma moradora da região fazer um vídeo dizendo que apesar de perfurado, o poço não estaria funcionando. Na verdade, o equipamento foi instalado na semana seguinte à inauguração, após retirada da broca e limpeza do poço. A postagem checada pelo Estadão Verifica foi compartilhada 29,1 mil vezes no Facebook.

No vídeo, uma mulher que não se identifica diz que Bolsonaro inaugurou um poço artesiano, que não estaria funcionando por falta de uma bomba d’água. Na postagem analisada, o vídeo foi compartilhado com uma legenda que afirma: “Bolsonaro saiu, deixou o poço funcionando. O prefeito mandou tirar a bomba e deixar a comunidade sem água.”

A inauguração do poço ocorreu no dia 21 de agosto. O presidente visitou a comunidade Angélica, na zona rural de Ipanguaçu. Lá, ele assinou um termo de cooperação para crédito rural com o Banco do Nordeste, entregou unidades de dessalinização para oferecer água doce e 1.060 títulos de terra a famílias assentadas, que tiveram sua situação regularizada.

O portal local Agora RN mostrou que Bolsonaro ‘tomou banho’ com apoiadores no poço inaugurado. A cena da água jorrando se deu por causa da pressão do ato da perfuração.

O cronograma das obras previu que bomba só seria instalada após limpeza do poço. Foto: Reprodução

Apesar disso, não era possível a instalação imediata da bomba d’água. A prefeitura de Ipanguaçu informou ao Agora RN que não instalou a bomba no dia da perfuração por recomendação técnica. “Quando um poço é construído, ele tem que passar por algumas análises, para avaliar a pureza da água. Durante o processo de construção, são usados materiais como argila, graxa, óleo hidráulico, além do manuseio das ferramentas. Esses resíduos ficam ali por um período”, comunicou em nota. (A Prefeitura não respondeu ao pedido de informação do Estadão Verifica).

O Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) informou ao Estadão Verifica que a bomba d’água que garante o abastecimento das residências foi adquirida pela prefeitura e instalada na última segunda-feira, 24, “conforme cronograma da obra”. O MDR confirmou que seria preciso “retirar a broca” e “fazer a limpeza” do poço antes de se instalar a bomba.

Depois que a moradora da comunidade Angélica gravou o vídeo, postagens nas redes acusaram Bolsonaro de inaugurar um poço que ainda não estava pronto. Após a história viralizar, os deputados federais bolsonaristas Carla Zambelli (PSL-SP) e General Girão (PSL-RN) saíram em defesa do presidente e postaram vídeos explicando o ocorrido em suas redes sociais. Girão foi até a cidade para comprovar a instalação da bomba.

A inauguração simbolizou a entrega de 138 poços perfurados no Estado do Rio Grande do Norte, entre 2019 e 2020, pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), vinculado ao MDR. Os R$ 5,3 milhões gastos nas obras vieram de emendas da bancada do Estado no Congresso.

O presidente Bolsonaro passou a inaugurar obras de infraestrutura no País como forma de capitalizar popularidade. A politização das obras ocasionou uma onda de desinformação nas redes sociais. O Estadão Verifica já checou imagens de obras contra a seca tiradas de contexto. Também desmentiu que um acidente em trecho da transposição do rio São Francisco no Ceará tenha sido criminoso – não há provas que sustentem tal alegação. A obra havia sido inaugurada por Bolsonaro em junho.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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