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Encaminhadas com frequência: o que circula nas redes de desinformação

Daniel Bramatti

28 de fevereiro de 2021 | 23h09

O que andam compartilhando: em experimento de vacina mRNA, todos os animais morreram

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: não é verdade. O boato tem origem em uma entrevista de uma médica norte-americana chamada Lee Merritt, que deu bastante trabalho a checadores de fatos dos EUA, ao fazer diversas afirmações desconexas da realidade. Uma delas é a de que, em um estudo com vacinas de tipo mRNA (como as da Pfizer contra covid-19), todos os animais envolvidos sofreram infecção após a imunização, e acabaram morrendo. O problema é que o estudo citado pela médica (cuja especialidade é ortopedia) não foi feito com vacinas mRNA, e sim com outra tecnologia. E os bichos usados no teste (camundongos) não morreram, apesar de desenvolver eosinofilia (contagem de glóbulos brancos acima dos níveis considerados normais). O autor do estudo, Chien-Te (Kent) Tseng, da Universidade do Texas, disse à agência Reuters que, graças à vacina que receberam, os animais tiveram forte reação do sistema imunológico e sobreviveram à infecção viral a que foram submetidos. O setor de fact checking da Reuters desmentiu no começo de fevereiro os rumores sobre a morte dos animais e sobre o uso de vacinas mRNA no estudo. O site Boatos.org fez o mesmo. Sites de checagem como Politifact e Health Feedback desmentiram outras declarações de Lee Merritt.

 

 

 

 

 

 

três juízes da Câmara de Apelações das províncias de Chincha e Pisco de fato assinaram uma resolução que acusa os empresários Bill Gates e George Soros de “inventarem” a pandemia do novo coronavírus e cita uma “nova ordem mundial” (https://bit.ly/3ahkM8k). A ação, porém, é desprovida de evidências.

A chamada “nova ordem mundial” é uma teoria conspiratória, e as melhores evidências científicas apontam que o coronavírus tem origem natural (https://bit.ly/3cxMEbc). A Corte Superior de Justiça de Ica abriu uma investigação para apurar a conduta dos magistrados (https://bit.ly/3rgSuSz)

O que andam compartilhando: que hospitais recebem R$ 18 mil por cada óbito registrado como covid-19

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: a informação é falsa. Conforme checagem do projeto Comprova, a definição dos valores destinados pelo Ministério da Saúde para ações de enfrentamento à pandemia não toma como base o número de pacientes infectados ou mortos. Saiba mais: https://politica.estadao.com.br/blogs/estadao-verifica/e-falso-que-hospitais-recebem-r-18-mil-por-cada-obito-registrado-como-covid-19/

O que andam compartilhando: que presidente de grande farmacêutica criticou ‘pressa’ por vacinas de covid-19.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: as declarações de Ken Frazier ocorreram em entrevista à Escola de Negócios de Harvard, em julho de 2020 (https://hbs.me/3pDXlwE). O executivo criticou promessas de que uma vacina poderia estar pronta até o fim daquele ano e destacou a importância de uma ciência rigorosa. Naquele momento, porém, nenhuma vacina havia passado por exames clínicos em humanos. Hoje, laboratórios já concluíram todas as etapas de testes clínicos e receberam aval de agências reguladoras mediante revisão de dados de segurança. (https://bit.ly/36vHNnd).

O que andam compartilhando: que o governador João Doria recebeu R$ 19,5 bilhões do Governo Federal para combater a pandemia do novo coronavírus.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: a alegação é enganosa. Autor do vídeo com a afirmação, o deputado Leo Motta (PSL-MG) se confunde ao atribuir a João Doria verbas que foram, na verdade, distribuídas a governos municipais e que fogem da competência do governador de São Paulo. Neste caso, como mostra documento apresentado pelo próprio parlamentar ao projeto Comprova, as verbas destinadas ao Estado de São Paulo não ultrapassam os R$ 10 bilhões. Motta ainda erra ao dizer que o Amazonas recebeu R$ 8,9 bilhões para ações de enfrentamento à covid-19.

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