Em vídeo no WhatsApp, homem erroneamente atribui a Bolsonaro prédios construídos pelo governo de SP

Em vídeo no WhatsApp, homem erroneamente atribui a Bolsonaro prédios construídos pelo governo de SP

Conjunto habitacional foi feito pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) com recursos estaduais

Pedro Prata

14 de fevereiro de 2022 | 16h21

Em vídeo que circula no WhatsApp, um homem faz elogios a um conjunto habitacional cuja construção atribui a Jair Bolsonaro (PL), mas que na verdade foi feito pelo governo de São Paulo sem recursos federais. Ele ainda faz comentários depreciativos sobre um outro conjunto de prédios que alega terem sido construídos por Lula, e que na verdade foram entregues na gestão de Dilma Rousseff (PT).

Prédios mostrados em vídeo não receberam financiamento federal na gestão Bolsonaro. Foto: Reprodução

Leitores solicitaram a checagem deste conteúdo pelo WhatsApp do Estadão Verifica, 11 97683-7490.

No vídeo, o homem está em um andar elevado e mostra um conjunto de prédios baixos e afirma se tratar de um conjunto habitacional da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), do período em que Luiz Inácio Lula da Silva foi presidente (2003-2010). Em seguida, mostra outros prédios, mais novos, e afirma se tratar de construção da “era Bolsonaro”. Ele faz elogios a estes e mostra que eles possuem uma quadra esportiva e um parque infantil.

“As duas informações do vídeo são falsas”, afirmou a CDHU ao Estadão Verifica por e-mail. Os prédios mais novo de fato foram construídos pelo órgão, ligado à Secretaria de Estado de Habitação do governo paulista, mas não receberam financiamento do governo federal.

Já o conjunto de prédios mais antigos foi construído pela prefeitura de Santo André com financiamento federal do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na gestão de Dilma Rousseff. Eles são falsamente atribuídos à CDHU.

Prédios da CDHU

Os prédios altos atribuídos erroneamente ao governo Bolsonaro compõem o Empreendimento Santo André K. Ele fica na rua Aluísio de Castro, 200, em Santo André. O conjunto começou a ser construído em outubro de 2018, antes mesmo de Bolsonaro ser eleito, e foi entregue em 29 de dezembro de 2021.

À época, a CDHU publicou uma nota com as informações sobre o novo conjunto residencial. São 260 apartamentos de 56,62 m² destinados a famílias retiradas de áreas de risco no bairro Jardim Santo André. A obra custou R$ 34,4 milhões da estatal paulista.

Na foto publicada pelo órgão é possível ver a quadra esportiva e o playground mencionados pelo homem no vídeo viral.

Foto: CDHU/Reprodução

Prédios antigos não são do CDHU

O outro conjunto de prédios é erroneamente atribuído à CDHU. Trata-se do Conjunto Habitacional Procópio Ferreira, feito por meio de financiamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal na gestão de Dilma Rousseff, em parceria com a prefeitura de Santo André, que cedeu o terreno.

Foram construídos 176 apartamentos de 44 m² para famílias dos núcleos Pedro Américo, Ciprestes/Irene, Gamboa e Espírito Santo I e II. O custo total foi de R$ 8,2 milhões. Iniciadas em 2010, foram pausadas depois que a empreiteira rescindiu o contrato. Os trabalhos foram retomados em 2014 e concluídos em 2015.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

Tudo o que sabemos sobre:

fake news [notícias falsas]Cdhu

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.