Postagem recicla vídeo antigo de cantor sertanejo com acusação infundada contra urnas eletrônicas

Postagem recicla vídeo antigo de cantor sertanejo com acusação infundada contra urnas eletrônicas

Em vídeo divulgado em 2018, Eduardo Costa afirma que eleições foram fraudadas, mas irregularidades nunca foram comprovadas

Victor Pinheiro

09 de setembro de 2021 | 18h46

Postagens nas redes sociais resgatam trechos de um vídeo antigo em que o cantor sertanejo Eduardo Costa divulga a informação falsa de que 80% das urnas eletrônicas do Brasil foram fraudadas. Em 25 anos de voto eletrônico no Brasil, nunca foi comprovada fraude ou invasões às máquinas eleitorais, que dispõem de uma série de mecanismos de segurança e auditoria. 

O vídeo de Eduardo Costa circula desde outubro de 2018, após o primeiro turno das eleições presidenciais naquele ano. Em uma versão mais extensa da gravação divulgada no YouTube — também com alegações falsas –, o artista se refere a boatos de que as urnas eletrônicas apresentaram automaticamente a foto de adversários de Jair Bolsonaro quando eleitores iniciavam a votação, o que foi desmentido pela Justiça Eleitoral.

A peça de desinformação ganhou força a partir de um outro vídeo, que supostamente mostrava um eleitor digitando apenas o número um e, na sequência, a urna eletrônica já apresentava a foto do candidato petista à Presidência, Fernando Haddad. Uma análise técnica do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), entretanto, indicou que o vídeo era editado e que duas pessoas pressionaram as teclas um e três simultaneamente. 

Erros de eleitores no momento da votação também inflamaram boatos de que a foto de Jair Bolsonaro não aparecia ao digitar o código do candidato na urna. Como mostram checagens do Estadão Verifica e do Comprova, eleitores inseriram o código de Bolsonaro no campo de votação para outros cargos, em vez de presidente. 

Quando um número não corresponde ao código de nenhum candidato para determinado cargo, a urna retorna um voto nulo. 

Não há fraudes comprovadas

Desde a implementação do voto eletrônico, nas eleições municipais de 1996, não foram comprovadas fraudes no processo eleitoral brasileiro. As urnas eletrônicas são seguras e, de acordo com a Justiça Eleitoral, podem ser auditadas antes e depois das eleições.

A plataforma de votação brasileira é protegida por tecnologias de criptografia e assinatura digital que estabelecem uma cadeia de confiança entre o programa e os equipamentos da urna eletrônica. Isso garante que apenas o sistema desenvolvido pela Justiça Eleitoral e dispositivos autorizados funcionem nessas máquinas. As urnas não têm conexão de internet. 

Outro mecanismo de segurança consiste no sistema de controle de versões que monitora e registra detalhes de cada modificação realizada no código fonte do software da urna. Além disso, os equipamentos são submetidos a uma cerimônia pública de lacração e assinatura digital do sistema. 

Apesar disso, as urnas eletrônicas são alvos frequentes de campanhas de desinformação que, sem provas concretas, procuram descredibilizar o sistema eleitoral. Em transmissão ao vivo no fim de junho, o presidente Jair Bolsonaro admitiu não ter provas de que as eleições foram fraudadas, mas disse existir o que ele chamou de “indícios” de irregularidades. O político, no entanto, apenas reproduziu alegações já desmentidas e amplamente refutadas.

Estadão Verifica entrou em contato com a assessoria de Eduardo Costa, mas não obteve resposta até a publicação.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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