Eduardo Bolsonaro exagera número de brasileiros contrários ao aborto
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Eduardo Bolsonaro exagera número de brasileiros contrários ao aborto

Parlamentar distorceu dados de pesquisa de opinião Ipsos, em que 13% dos entrevistados disseram que gravidez não pode ser interrompida em hipótese nenhuma e 21% afirmaram que procedimento só pode ser feito em caso de risco para mãe

Estadão Verifica

21 de agosto de 2020 | 16h46

É falso que 84% dos brasileiros sejam contrários ao aborto. Uma postagem do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no Twitter distorce dados de uma pesquisa Ipsos divulgada na terça-feira, 18. De acordo com o levantamento, 13% dos entrevistados no País acreditam que a interrupção da gravidez não deve ser permitida em hipótese alguma, e 21% acham que o procedimento só pode ser feito quando houver risco à vida da mãe.

A maior parte dos brasileiros ouvidos (38%) opinou que o aborto deve ser permitido em algumas circunstâncias, como em caso de estupro. Isso é o que já ocorre no Brasil: a legislação não criminaliza a interrupção da gravidez em situação de violência sexual ou risco de vida para a gestante. Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2012 também permitiu o procedimento médico quando o feto é anencéfalo, sem expectativa de sobrevivência.

Na pesquisa, outros 16% responderam acreditar que o aborto deve ser liberado sempre que a mulher desejar, e 12% não souberam ou não quiseram opinar.

Ou seja: a porcentagem divulgada por Bolsonaro (84%) inclui pessoas que acreditam que o aborto deve ser liberado em casos de estupro ou de risco de vida para a mãe, além de entrevistados que não quiseram ou não souberam responder. Ao todo, 54% das pessoas ouvidas demonstraram opiniões mais favoráveis em relação à interrupção da gravidez, e 34% sinalizaram pontos de vista mais contrários.

A imagem divulgada pelo parlamentar também contém um erro de concordância (“84% dos brasileiros é contra…”).

A pesquisa Ipsos ouviu 18 mil pessoas de 25 países entre 22 de maio e 5 de junho. No Brasil, onde foram entrevistadas mil pessoas, a margem de erro é de 3,5 pontos percentuais. 

No levantamento, os pesquisadores pediram que os entrevistados escolhessem a frase mais representativa de sua opinião: o aborto DEVE ser permitido sempre que uma mulher assim o desejar; o aborto DEVE ser permitido em determinadas circunstâncias, por exemplo, no caso de uma mulher ter sido estuprada; o aborto NÃO deve ser permitido em hipótese alguma, exceto quando a vida da mãe estiver em risco; o aborto NUNCA deve ser permitido, não importando sob quais circunstâncias; e não sei/prefiro não responder.

O Brasil, junto com o Peru, ficou em segundo lugar entre os países com menor índice de apoio à legalização do aborto em qualquer circunstância (16%). A Malásia tem a porcentagem mais baixa (10%).

Na outra ponta da tabela está a Suécia, onde 76% dos entrevistados disseram que a interrupção da gravidez deve ser permitida sempre que a mulher desejar. Em seguida, vêm Grã-Bretanha (67%), França (66%) e Hungria (63%). A média entre todos os países pesquisados é de 44%.

 

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