É falso que vídeo mostre mãe de jovem morto em operação no Jacarezinho portando arma
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É falso que vídeo mostre mãe de jovem morto em operação no Jacarezinho portando arma

Postagens atacam dona de casa Adriana Rodrigues, que pediu justiça por seu filho; Polícia Civil do Rio desmentiu o boato

Victor Pinheiro

10 de maio de 2021 | 17h57

É falso que a mãe de um dos homens mortos na operação policial no Jacarezinho nesta quinta-feira, 6, seja a mesma pessoa que aparece dançando com um fuzil na mão em vídeo divulgado nas redes sociais. Em contato com o Estadão por telefone, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) desmentiu o boato.

Os conteúdos enganosos atacam a dona de casa Adriana Rodrigues. Ela ganhou destaque na imprensa ao pedir justiça por seu filho morto durante a ação policial, que resultou na morte de 28 pessoas.

Com mais de 500 compartilhamentos no Facebook, uma das publicações apresenta imagens de Adriana extraídas de reportagens, ao lado de um vídeo que mostra uma outra mulher, levantando uma arma para o alto. Além de insinuarem a comparação falsa, a legenda do conteúdo ironiza os depoimentos da mãe.

“A mamãe está hoje protestando pelo seu filho que morreu no confronto com a polícia, vejam os vídeos, que essa ……………., seja presa com base nas imagens.”, diz o conteúdo enganoso.

O boato também foi amplificado por blogs e autoridades políticas. O deputado estadual de São Paulo Gil Diniz (sem partido) compartilhou um vídeo que sugere a relação de Adriana com as cenas da mulher carregando um fuzil. Até o fechamento desta verificação, uma mensagem do parlamentar no Twitter, divulgada no sábado, já acumulava mais de 2,3 mil compartilhamentos na plataforma.

Gil Diniz compartilhou vídeo que mistura imagens de dona Adriana com o vídeo de outra pessoa segurando um fuzil.

Em entrevista à TV Globo, Adriana também negou ser a mulher retratada na gravação e disse que nunca ter segurado um fuzil. Ela ainda acrescentou que sofre com ofensas e ameaças nas redes sociais por causa do boato.

Por e-mail, a Secretaria de Estado de Polícia Civil (Sepol), por meio da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), informou que está à disposição da mulher para realizar “procedimento investigatório a respeito do caso”.

Nesta segunda-feira, 10, o Ministério Público e a Defensoria Pública do Rio começaram a ouvir testemunhas e familiares dos mortos na operação policial no Jacarezinho, da semana passada.

O projeto Fato ou Fake, do portal de notícias G1, também verificou este boato.

 

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