É falso que vídeo mostre Lula sendo expulso por manifestantes em cidade na Bahia
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É falso que vídeo mostre Lula sendo expulso por manifestantes em cidade na Bahia

Gravação que circula nas redes sociais não é recente nem foi gravada no município de Itanagra

Gabi Coelho

02 de junho de 2021 | 18h27

É falso que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha sido expulso recentemente por manifestantes em Itanagra, na Bahia. Um vídeo que circula nas redes sociais não é recente nem foi gravado no Nordeste. Na verdade, a filmagem é de março de 2018, durante a “Caravana Lula pelo Brasil”, no Sul do País. A assessoria do petista nega que ele tenha sido “expulso” durante sua passagem nesses municípios. 

Com mais de 360 mil visualizações e 25 mil curtidas no YouTube, o vídeo de 40 segundos mostra o momento em que pessoas gritam “Lula, ladrão, teu lugar é na prisão” e outros xingamentos durante a passagem dos ônibus da caravana. A gravação é de 21 de março de 2018, na cidade gaúcha de São Vicente do Sul. Outro vídeo publicado naquele dia pelo Movimento Brasil Livre (MBL) mostra a mesma cena. 

Situações como essa aconteceram entre 2017 e em 2018 quando o petista era pré-candidato a presidente nas eleições de 2018. Ao Estadão Verifica, a assessoria de Lula esclareceu que a última vez que o ex-presidente esteve na Bahia foi em novembro de 2019, dias após deixar a prisão em Curitiba. Na ocasião, ele publicou em seu Instagram uma foto do banho de mar com a legenda “reencontro com a liberdade”. 

Ainda segundo a assessoria, a ida para a Bahia ocorreu devido a uma reunião da Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), em Salvador, e não incluiu passagem por Itanagra. Nas redes sociais de Lula, é possível ver suas viagens recentes. Ele teve compromissos em cidades como Diadema (SP) e Brasília (DF) nas últimas semanas.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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