É falso que vídeo mostre encontro de Gilmar e Mandetta em Portugal

É falso que vídeo mostre encontro de Gilmar e Mandetta em Portugal

Imagens são de abril de 2019 e ex-ministro da Saúde estava em Campo Grande na data

Pedro Prata

29 de julho de 2020 | 15h15

É falso que um vídeo compartilhado no Facebook mostre um encontro entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta em Portugal. As imagens de fato foram feitas durante uma visita de Mendes a Lisboa, mas o homem ao seu lado não é Mandetta — na data em que o vídeo foi gravado, o então ministro da Saúde estava em Campo Grande.

Além disso, há postagens que tiram as imagens de seu contexto original e afirmam que elas teriam sido feitas este ano, quando na verdade foram em 2019. O Estadão Verifica checa a origem de conteúdos virais nas redes sociais e o vídeo postado com a falsa legenda recebeu 9 mil compartilhamentos e foi visto 217 mil vezes.

“O grande Mandetta e o Gilmar Mendes tomando um chopinho em Lisboa!”, afirma a legenda da publicação checada. O vídeo mostra um homem aos berros em uma rua de Lisboa. Ele grita que o ministro “manda soltar políticos corruptos”. Mendes aparece sentado entre as mesas de um café e ao seu lado um homem de camisa branca e óculos escuros se mantém de pé. Após um minuto, o homem que gritava na rua vai embora.

Homem que aparece ao lado de Gilmar Mendes não é ex-ministro Henrique Mandetta. Foto: Reprodução

Uma busca por vídeos no Twitter com os termos “Gilmar Mendes Portugal” retornou uma postagem do jornalista Sandro Barboza, repórter da TV Band, em 20 de abril de 2019. Elementos comuns aos dois vídeos, como as roupas do homem que abordou Gilmar e a cor das cadeiras e dos toldos do café, permitem concluir que se trata da mesma ocasião. Ou seja, o vídeo não foi gravado durante a pandemia de covid-19, como algumas postagens sugerem.

Na data do vídeo publicado por Sandro Barboza, Gilmar Mendes estava em Portugal para participar do VII Fórum Jurídico de Lisboa. Ele era coordenador científico do evento e falou na cerimônia de abertura, às 9h de 22 de abril.

Elementos comuns ao vídeo viral (esq.) e o publicado pelo jornalista Sandro Barboza (dir.) permitem concluir que se trata da mesma situação. Foto: Reprodução

Na data em que vídeo foi gravado, Mandetta estava em Campo Grande

Ao contrário do que afirmam as postagens, o homem que aparece de pé ao lado da mesa de Gilmar Mendes não é Luiz Henrique Mandetta. Em 20 de abril de 2019, ele ainda era ministro da Saúde. Uma busca na agenda oficial do ministério mostra que ele decolou de Brasília para Campo Grande às 07h05 do dia 18 para passar o feriado de Páscoa. Ele foi para Cuiabá em 21 de abril, às 23h25. Lá, participou do lançamento da Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza no dia 22. Mandetta embarcou no vôo de volta a Brasília às 20h25 do mesmo dia.

Ele ganhou notoriedade por comandar o Ministério da Saúde durante os primeiros meses da pandemia de covid-19. Acabou sendo demitido em 16 de abril deste ano por divergências com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a melhor forma de conduzir à resposta ao novo coronavírus. Mandetta, que é médico de formação, se posicionou contra afrouxar medidas de isolamento social.

Este boato também foi checado por UOL, Aos Fatos, Fato ou Fake, Boatos.org e Agência Lupa.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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