É falso que vacina contra H1N1 usada no Brasil seja produzida na China
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É falso que vacina contra H1N1 usada no Brasil seja produzida na China

Boato ganhou força nas redes sociais após presidente Jair Bolsonaro fazer declaração contrária à CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac

Samuel Costa, especial para o Estadão

30 de outubro de 2020 | 12h33

É falso que a vacina contra o H1N1 usada no Brasil seja de origem chinesa. Após o presidente Jair Bolsonaro ter se posicionado contra o anúncio do Ministério da Saúde de comprar 46 milhões de doses da Coronavac, desenvolvida pelo laboratório Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, cresceu nas redes sociais o número de publicações dizendo que a empresa chinesa teria desenvolvido também a vacina contra o H1N1. A informação, porém, não procede. 

A chinesa Sinovac também produz uma vacina contra o H1N1, mas não é a mesma usada no Brasil. Atualmente, as doses do imunizante distribuídas pelo SUS são produzidas, majoritariamente, pelo Instituto Butantan, como é informado na bula cadastrada no site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O outro laboratório que aparece identificado no documento é o francês Sanofi Pasteur, que realizou a transferência de tecnologia para o Butantan. 

Vacina contra o vírus H1N1 no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.

O diretor de Produção do Instituto Butantan, Ricardo das Neves, disse em entrevista ao Estadão que a transferência de tecnologia demorou cerca de 10 anos para ser feita e já foi finalizada. “Hoje a gente mantém uma parceria com a Sanofi de assistência técnica, mas a produção é feita em território nacional. Cerca de 90% é produzida pelo Butantan, outros 10% vem da Sanofi”.

A composição do imunizante produzido pelo Butantan, no entanto, não é “fixa”, uma vez que o vírus influenza tem grande potencial de mutabilidade. Sendo assim, duas vezes por ano a Organização Mundial da Saúde publica as recomendações sobre quais amostras virais devem estar presentes na vacina para o período de imunização da população.

Neves explica que isso acontece devido à sazonalidade da doença, que costuma ter aumento de casos durante o inverno. Dessa forma, no início do ano são divulgadas as orientações para os países do hemisfério norte e na metade do ano para os países do hemisfério sul. “Eles fazem o estudo epidemiológico e avaliam quais os vírus estão circulando no mundo no período anterior à campanha de vacinação. Depois de realizada a recomendação da OMS, os produtores começam a produção”.

Vale destacar também que a vacina não é apenas para prevenção do H1N1. Ela tem cobertura para outros dois tipos de vírus influenza, o H3N2 e o Influenza B. Por isso, seu nome é Vacina Influenza Trivalente.

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