É falso que ‘segunda onda’ de ciclone bomba tenha atingido Santa Catarina

É falso que ‘segunda onda’ de ciclone bomba tenha atingido Santa Catarina

Boato se espalhou após Região Sul ser atingida por ventos de até 120 km/h

Pedro Prata

02 de julho de 2020 | 12h23

A Defesa Civil de Santa Catarina negou ter emitido alerta para uma “segunda onda ainda mais forte” do ciclone bomba para a quarta-feira, 1º. O boato começou a circular no Facebook na noite de terça, dia em que a Região Sul foi atingida por ventos de até 120 km/h que deixaram ao menos dez mortos (nove vítimas em Santa Catarina, uma no Rio Grande do Sul) e um rastro de destruição. 

O falso alerta também cita a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI). E vem acompanhado de um gráfico que, segundo a Defesa Civil, foi produzido na plataforma Wind Guru. O site fornece previsões de ventos para a prática esportiva — o próprio portal alerta que “deve ser usado como uma simpática interface para os modelos de previsões e não como previsões oficiais das que nunca falham”.

Tanto a Defesa Civil quanto a EPAGRI negaram que uma “segunda onda” do ciclone bomba tenha agido no Estado nesta quarta.

Defesa Civil afirma que leigos podem interpretar gráfico de forma equivocada. Foto: Reprodução

O vento forte da madrugada e manhã da quarta-feira estava associado à diferença de pressão entre o ciclone, que estava posicionado no litoral do Rio Grande do Sul, e o avanço de uma massa de ar frio de alta pressão, diz Gilsânia Cruz, meteorologista da Epagri/Ciram. “Essa combinação gera ventos de 60 a 80 km/h no Litoral e Serra, podendo alcançar a velocidade de 100 km/h ou pouco mais em alguns momentos, principalmente na Serra e Litoral Sul.”

Já a Defesa Civil de Santa Catarina falou que o gráfico anexado na postagem pode passar a impressão a um leigo de que a intensidade dos ventos na quarta seria pior do que na terça, mas a informação não procede. “É importante ressaltar que o modelo citado e compartilhado não foi capaz de prever as intensidades dos ventos que ocorreram na tarde de terça, quando foram registradas velocidades superiores a 100 km/h”, diz nota no perfil oficial do órgão no Facebook.

A Defesa Civil recomenda acompanhar sempre as fontes oficiais para obter informações confiáveis sobre o ciclone bomba.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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