É falso que Ricardo Salles tenha sido internado por causa de envenenamento com mamona
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É falso que Ricardo Salles tenha sido internado por causa de envenenamento com mamona

Boato viralizou nas redes sociais após ministro do Meio Ambiente sofrer desgaste no governo

Pedro Prata

03 de setembro de 2020 | 14h06

É falso que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tenha sido internado no Hospital das Forças Armadas com suspeita de envenenamento por mamona. O ministério negou a informação e não há qualquer registro na imprensa sobre o assunto. Este boato já havia circulado em 2019 e foi resgatado recentemente, em um  momento em que Salles enfrenta desgaste no governo. A publicação checada pelo Estadão Verifica foi compartilhada ao menos 952 vezes.

“Nosso valente ministro Ricardo Salles foi vítima do ‘Ecoterrorismo’, provavelmente envenenado ontem durante a reunião com os governadores da Amazônia. As evidências são de mamona, um conhecido agente utilizado por ataques ecoterroristas”, diz o boato publicado em 31 de agosto.

Versão deste boato já havia circulado em 2019. Foto: Reprodução

O ministério respondeu por e-mail que a alegação é falsa. Também não foi possível encontrar essa informação em nenhum veículo de comunicação. Uma notícia como essa, caso fosse verdade, seria amplamente noticiada pela mídia por envolver uma autoridade federal.

Além disso, a agenda oficial de Salles não mostra qualquer reunião com governadores na semana anterior à publicação do boato no Facebook. Entre os dias 24 e 31 de agosto, ele se reuniu com servidores do ICMBio, com o presidente da Comissão Nacional de Proteção e Defesa dos Animais, com o Presidente da Petrobrás, com o presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi) e com representantes do Fórum de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Setor Elétrico (FMASE), por meio de videoconferência. Além disso, em três ocasiões, o ministro teve atividades remotas não especificadas.

Boato é de 2019

Uma busca por palavras-chave no Google retornou uma verificação do site Boatos.org de 29 de agosto de 2019. Naquela ocasião, Ricardo Salles realmente havia sido internado no Hospital das Forças Armadas depois de sentir mal-estar dois dias antes. O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, chegou a informar que Salles teria passado mal por causa de “estresse”. Ele recebeu alta no dia 28 daquele mês.

Queimada em área da floresta amazônica. Foto: Gabriela Biló/Estadão

O boato foi resgatado em um momento em que o ministro sofre desgaste no governo. Ele é cobrado pelos altos índices de desmatamento que ameaçam as relações comerciais brasileiras e pelas queimadas que consomem o pantanal.

Na sexta-feira, 28, o ministério do Meio Ambiente divulgou nota na qual anunciava a paralisação de todas as operações de combate ao desmatamento por corte de verbas. Interlocutores avaliam que gesto do ministro foi tentativa de reafirmar autoridade no ministério. Depois da repercussão negativa, o congelamento do dinheiro foi cancelado e o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que ele “se precipitou”. Na segunda, 31, deputados bolsonaristas e os filhos do presidente saíram em defesa do ministro.

Este boato também foi checado pela Agência Lupa.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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