É falso que ‘repórter da CNN’ tenha sido afastado pela emissora após crítica a ministro do STF
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É falso que ‘repórter da CNN’ tenha sido afastado pela emissora após crítica a ministro do STF

Postagem falsa mostra comentário de Caio Coppolla na televisão em 29 de abril; ele participou de programa da CNN Brasil cinco vezes desde então

Samuel Lima, especial para o Estado

08 de maio de 2020 | 18h37

Não é verdade que o comentarista da CNN Brasil Caio Coppolla tenha sido afastado pela emissora de televisão após criticar decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em programa ao vivo. A afirmação falsa consta em postagem no Facebook com 884 mil visualizações e 76,3 mil compartilhamentos até a tarde desta sexta-feira, 8. O conteúdo se refere a Coppolla como “repórter da CNN”, o que também não está correto.

O Estadão Verifica acessou o canal da CNN Brasil no YouTube e encontrou o vídeo original, publicado em 29 de abril, com o título “O Grande Debate: Quem são os responsáveis pelo recorde de contágio?”. O trecho que é reproduzido na postagem falsa pode ser visto a partir de 28 minutos e 50 segundos de gravação. Segundo a descrição do conteúdo, Coppolla discute com Augusto de Arruda Botelho no programa Expresso CNN, com mediação da jornalista Monalisa Perrone.

Boato que circula nas redes sociais. Foto: Reprodução

Desde então, Coppolla participou outras cinco vezes do mesmo quadro, inclusive no dia seguinte, 30 de abril. Naquela ocasião, o assunto foi o mesmo do comentário anterior: “Decisão do ministro Alexandre de Moraes foi política?”. O comentarista esteve presente em todos os programas entre os dias 4 e 7 de maio, ficando de fora apenas no programa da sexta-feira passada. O programa Expresso CNN não é transmitido aos sábados e domingos, conforme a grade de programação da emissora.

De fato, Coppolla ficou afastado da CNN Brasil entre os dias 18 de março e 5 de abril, mas por problemas de saúde, como ele próprio afirmou em sua conta no Instagram. O retorno ocorreu no dia 6 de abril, na estreia da edição noturna do quadro “O Grande Debate”. Em 28 de abril, durante outra participação no programa, o comentarista disse, com base em testes, que contraiu o novo coronavírus.

 

O Estadão Verifica entrou em contato com a assessoria de comunicação da CNN Brasil, mas não recebeu resposta até o fechamento desta reportagem.

Decisão de Alexandre de Moraes motiva boatos

No vídeo citado pelas postagens falsas, Coppolla critica decisão recente do ministro do STF Alexandre de Moraes. Em 29 de abril, o magistrado suspendeu o decreto de nomeação do ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, para a direção-geral da Polícia Federal, sob o argumento de que não observava os princípios constitucionais de “impessoalidade, moralidade e interesse público”. 

A escolha de Ramagem, amigo do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), foi feita na esteira da demissão de Maurício Valeixo do comando da PF — queda que resultou no pedido de demissão de Sérgio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O veto de Moraes contrariou o presidente Jair Bolsonaro, que atacou publicamente o ministro, e também causou ruído no meio jurídico

Grupos bolsonaristas reagiram à situação com protesto em frente à casa do ministro do STF, em 2 de maio. Cerca de 20 manifestantes xingaram Moraes com o uso de megafone, chamando-o de “comunista”. Boatos envolvendo o magistrado também surgiram nas redes, como uma montagem que sugeriu apoio da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), desmentida recentemente pelo Estadão Verifica.

Também são comuns nas redes postagens falsas com acusações a veículos e profissionais de imprensa, desqualificando o trabalho jornalístico. Recentemente, o fotógrafo do Estadão Dida Sampaio, agredido em manifestação pró-governo em Brasília, foi alvo de boatos, assim como a jornalista Vera Magalhães, após revelar que Bolsonaro mandou vídeos por WhatsApp convocando para ato anti-Congresso.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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