É falso que reportagem da Globo tenha ligado morte de Lázaro a Bolsonaro

É falso que reportagem da Globo tenha ligado morte de Lázaro a Bolsonaro

Montagem que circula nas redes sociais alterou tarja de vídeo do Jornal Hoje

Pedro Prata

29 de junho de 2021 | 17h27

É falso que o Jornal Hoje, telejornal da Globo, tenha transmitido reportagem relacionando a morte de Lázaro Barbosa, em Goiás, ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Circula nas redes uma montagem que faz parecer que a emissora teria acusado Bolsonaro de ter mandado executar o criminoso.

A foto mostra um repórter segurando um microfone da TV Globo. A imagem contém o logotipo do Jornal Hoje e a frase “Investigação diz que ordem pra (sic) executar Lázaro veio de Bolsonaro”. Na verdade, a tarja original da reportagem dizia “Morre Lázaro Barbosa: Caçada terminou em confronto e morte depois de 20 dias”.

Tarja original foi alterada. Foto: Jornal Hoje/Reprodução

A ferramenta de monitoramento de redes sociais CrowdTangle encontrou 13 posts com essa montagem que somam 3.371 interações no Facebook.

Lázaro Barbosa era suspeito de matar quatro pessoas de uma mesma família e um caseiro no começo do mês e estava sendo procurado por uma força-tarefa de 200 agentes policiais havia 20 dias. Ele foi morto nesta segunda-feira, 28, após entrar em confronto com a polícia, por isso o Estadão Verifica procurou a reportagem original nesta data.

No Globoplay, é possível encontrar a reportagem utilizada pelo boato. Na verdade, o vídeo é de uma entrada às 10h em meio à programação padrão no momento exato em que a Polícia Civil de Goiás informava a captura e morte de Lázaro.

A tarja original dizia: ‘Morre Lázaro Barbosa: Caçada terminou em confronto e morte depois de 20 dias’. Foto: Reprodução

Investigação segue

Ao contrário do que sugere o conteúdo checado aqui, não há menção nos veículos de comunicação tradicionais de que Bolsonaro estaria envolvido na morte de Lázaro. Nas redes sociais, o presidente parabenizou a Polícia Militar de Goiás pela captura e morte de Lázaro. “O Brasil agradece! Menos um para amedrontar as famílias de bem. Suas vítimas, sim, não tiveram uma segunda chance. Bom dia a todos!”

O presidente também se referiu à morte como “CPF cancelado”. A expressão é uma gíria do meio policial para se referir a mortes ou execuções. Ele foi criticado nas redes sociais por usar a expressão e o tema foi um dos assuntos mais comentados no Twitter.

Após a morte de Lázaro, o secretário de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) Rodney Miranda disse que o criminoso contava com uma rede de pessoas que o estariam acobertando. Ele falou que há oito inquéritos atribuídos a Lázaro nos quais a Polícia Civil acredita ter havido participação de outras pessoas, tanto na execução quanto no mando, isto é, pessoas que teriam mandado ele cometer os crimes.

Estadão Verifica também checou postagens que falsamente associavam citações de apoio a Lázaro a políticos de esquerda.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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