É falso que Renato Gaúcho tenha declarado que está ‘à disposição para honrar as cores da nação’
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É falso que Renato Gaúcho tenha declarado que está ‘à disposição para honrar as cores da nação’

Boato viralizou nas redes em meio a críticas de apoiadores de Bolsonaro ao técnico Tite e ao impasse sobre a Copa América 2021

Samuel Lima

07 de junho de 2021 | 16h03

Circula nas redes sociais que Renato Gaúcho teria feito um “discurso patriótico” e se colocado à disposição para substituir o técnico Tite no comando da Seleção Brasileira antes da Copa América 2021. Não é verdade: além de não existir qualquer registro da suposta declaração na imprensa, a assessoria do ex-treinador do Grêmio confirmou que se trata de uma mensagem falsa.

“Fake. Ele nunca disse isso”, escreveu por mensagem um assessor de Renato Portaluppi, procurado pelo Estadão. “Ele não comentou e nem vai comentar nada a respeito da seleção. Além de ser amigo do Tite, respeita demais o profissional.”

O nome de Renato Gaúcho foi envolto em uma polêmica ao surgirem notícias de que o presidente afastado da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, teria prometido a troca de comando do grupo ao presidente Jair Bolsonaro. A informação foi divulgada no domingo pelo jornalista do SporTV André Rizek.

Atletas e comissão técnica da Seleção estão insatisfeitos com a realização da Copa América no Brasil — bancada por Bolsonaro em quatro cidades após as desistências de Colômbia e Argentina. Em entrevistas, tanto o técnico Tite quanto o jogador Casemiro externaram o desconforto com o torneio. Também foram registrados protestos da população no Distrito Federal. A competição começa em 13 de junho.

Com a articulação política de Bolsonaro pela Copa América, uma série de conteúdos ganharam alcance nas redes nos últimos dias. O Estadão Verifica também mostrou mais cedo que uma declaração antiga do jogador Daniel Alves circula fora de contexto e não tem relação com a Copa América 2021.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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