É falso que o Exército não tenha soldados atuando no combate às chamas no Pantanal
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É falso que o Exército não tenha soldados atuando no combate às chamas no Pantanal

Postagem que viralizou no Facebook diminui contingente que atua no controle dos incêndios na região

Pedro Prata

23 de setembro de 2020 | 12h56

Uma postagem viral no Facebook traz dados enganosos sobre o contingente que atua no combate ao fogo no Pantanal brasileiro. O post afirma haver “166 pessoas tentando salvar o Pantanal” e diz que o presidente Jair Bolsonaro não teria mandado “nenhum homem do Exército” para a região. As informações não condizem com o informado pelos órgãos responsáveis.

A postagem analisada pelo Estadão Verifica, compartilhada 1,7 mil vezes no Facebook, foi postada em 16 de setembro. Dois dias antes, o governo do Estado do Mato Grosso já havia informado que naquele momento tinha “em torno de 2500 profissionais envolvidos no combate [às chamas], ‘das forças de Segurança, da Defesa Civil, dos Bombeiros, voluntários e até do Exército Brasileiro’”.

Na quarta-feira, 16, o governo do Mato Grosso do Sul informou que “possui 230 homens atuando nos incêndios do Pantanal entre brigadistas do Ibama, militares do Corpo de Bombeiros e militares da Marinha”. Já no Cerrado, na região do Parque Estadual das Nascentes do Taquari, “são 140 homens entre militares do Corpo de Bombeiros e do Exército Brasileiro”.

Dados apresentados por publicação não condizem com informações dos órgãos responsáveis. Foto: Reprodução

Segundo a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, 500 brigadistas voluntários trabalham em todo o Estado. Ela participou de uma reunião sobre o tema com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, e o governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), 500 brigadistas voluntários trabalham em todo o Estado.

Militares no combate às chamas

O Ministério da Defesa informou ao Estadão Verifica por e-mail que atua na região do Pantanal em Mato Grosso do Sul desde o dia 25 de julho e em Mato Grosso desde 5 de agosto. “Somam-se aproximadamente 40 viaturas e duas embarcações utilizadas diariamente no transporte de brigadistas e no despejo de água para conter as chamas. Em média, estão engajados nas atividades 200 militares.”

O apoio de militares no combate às chamas primeiramente em Mato Grosso do Sul, depois no Mato Grosso, foi confirmada por Marcio Yule, coordenador do programa de brigadistas do Ibama (PrevFogo) no MS.

O Ministério da Defesa informou, ainda, que, em 15 de setembro, “foram deslocados 90 militares e 11 viaturas do Exército para a cidade de Alcinópolis (MS), a fim de apoiar o combate aos incêndios florestais”.

Efetivo do Exército

“O Exército tem 336 mil soldados. Sabe quantos Bolsonaro enviou para combater as chamas? Nenhum!”, diz a postagem analisada. De acordo com o Centro de Comunicação Social do Exército, o efetivo da corporação é menor do que o citado no post: 220.830 militares.

Um documento publicado pelo Ministério da Defesa em dezembro do ano passado compila informações para fins de estudos e tomada de decisões (veja mais abaixo). À época, o efetivo total das Forças Armadas era de 364.409 militares no total, distribuídos entre:

  • Marinha – 77.879
  • Exército – 219.361
  • Aeronáutica – 67.169

Este conteúdo também foi checado pela Agência Lupa.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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