É falso que Niemeyer tenha dito que Brasília deveria ter sido projetada em ‘forma de camburão’
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É falso que Niemeyer tenha dito que Brasília deveria ter sido projetada em ‘forma de camburão’

Boato com nome do arquiteto brasileiro circula nas redes sociais desde 2011, mas não há registro de que ele tenha feito uma declaração nesse sentido

Tiago Aguiar e Pedro Prata

10 de setembro de 2020 | 17h29

É falso que o arquiteto Oscar Niemeyer tenha dito que Brasília deveria ter sido projetada “em forma de camburão” e que a capital do País hoje é usada “como pinico”, devido à qualidade dos políticos brasileiros. Não há registro de que Niemeyer tenha feito qualquer declaração nesse sentido em toda sua carreira. Ele foi responsável pelo desenho dos principais prédios cívicos de Brasília.

Paulo Sergio Niemeyer, presidente do Instituto Niemeyer e neto do arquiteto, disse ao Estadão Verifica que desconhece que o arquiteto tenha feito qualquer afirmação sequer parecida. “Garanto que ele nunca disse e nunca diria essa frase. Meu avô era um homem de grande cultura, e a a afirmação não condiz com ele, inclusive pelas palavras utilizadas”, disse Paulo, que trabalha há mais de dez anos na preservação do legado do avô, morto em 2012.

A postagem sugere que a frase teria sido dita por Niemeyer em seu aniversário de 102 anos, completados em dezembro de 2009. A foto utilizada no boato é de maio de 2010, de Pedro Carrilho, da Folha de S.Paulo. No mesmo mês, foi amplamente noticiado que Niemeyer foi a principal ausência das festividades do 50º aniversário de Brasília.

A publicação analisada pelo Estadão Verifica foi publicada em 2017 no Facebook, mas voltou a circular recentemente. Nas últimas 24 horas, foram 5,3 mil compartilhamentos. A ferramenta CrowdTangle indica que o boato circula nas redes sociais ao menos desde 2011. E-farsas e Boatos.org também publicaram checagens sobre esse conteúdo.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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