É falso que Moro tenha afastado promotor do caso Coaf e delegado do caso Marielle
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É falso que Moro tenha afastado promotor do caso Coaf e delegado do caso Marielle

Post enganoso acusa ministro da Justiça de interferir em investigações do filho do presidente e do assassinato de vereadora

Jennefer Andrade, especial para o Estado

13 de junho de 2019 | 10h27

Um post enganoso no Facebook acusa o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, de afastar tanto o promotor do caso que envolve um dos filhos do presidente, senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), quanto o delegado responsável por investigar a execução da vereadora Marielle Franco (PSOL). Desde o último dia 30 de março a publicação falsa vem ganhando tração nas redes, com mais de 35 mil compartilhamentos.

O senador Flávio Bolsonaro com o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. Foto: Wilton Junior/Estadão

Moro, no entanto, não têm poderes para determinar o afastamento dos agentes citados, apesar de os profissionais realmente não estarem atuando nos devidos inquéritos desde o início do ano.

O Ministério da Justiça faz parte do poder Executivo e possui a atribuição de traçar estratégias orçamentárias e definir políticas para questões referentes ao Judiciário, polícias e defesa dos direitos humanos. O órgão não faz investigações e não tem autoridade sobre as instituições responsáveis pelos casos Flávio Bolsonaro e Marielle, ou seja, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e Polícia Civil do estado, respectivamente.

Cláudio Calo, o ex-promotor responsável pelo caso de Flávio Bolsonaro, se declarou suspeito e se desligou das investigações um dia depois de receber o inquérito sobre movimentações financeiras atípicas indicadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF).

Calo relatou ter se encontrado pessoalmente com o filho do presidente antes dos fatos investigados. Na época, tweets antigos do ex-promotor em que o agente comentava positivamente sobre atos do governo Bolsonaro levantaram suspeitas sobre a imparcialidade do agente entre internautas.

Já Giniton Lages, delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro e responsável pela apuração do assassinato de Marielle Franco, se afastou do caso para realizar um intercâmbio de quatro meses na Itália, a convite do governador do estado, Wilson Witzel (PSC).

Em ambos os casos, portanto, o afastamento não teve e nem poderia ter relação com a atuação do ministro da Justiça. A checagem foi realizada também por  Agência Lupa, Aos Fatos e AFP. Este conteúdo foi selecionado para checagem por meio da parceria entre Estadão Verifica e Facebook.

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