É falso que Maria do Rosário tenha criticado PM que reagiu a tentativa de assalto
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É falso que Maria do Rosário tenha criticado PM que reagiu a tentativa de assalto

Imagem com post da parlamentar é montagem; boato de 2016 voltou a circular esta semana

Pedro Prata

31 de agosto de 2020 | 15h55

Um boato de 2016 sobre a deputada federal Maria do Rosário (PTRS) voltou a viralizar nesta semana. Na postagem falsa, uma montagem leva a crer que a parlamentar teria criticado nas redes sociais um policial militar que reagiu a uma tentativa de assalto em São Paulo. A postagem foi compartilhada ao menos 2,7 mil vezes desde o dia 26 de agosto.

A falsa postagem da deputada teria sido feita em 4 de novembro, quando o assalto só ocorreu no dia seguinte. Foto: Reprodução

“Era bom que a sociedade parasse para pensar: hoje temos três famílias chorando em razão da ação desse PM opressor. Caso ele não tivesse reagido, apenas uma família choraria. Assim, o prejuízo teria sido menor para a sociedade”, diz a publicação falsa. A postagem acompanha a reprodução de uma manchete real do portal G1: “PM que dirigia Uber em SP mata 3 que tentaram assaltá-lo; veja vídeo”.

A notícia do G1 foi publicada em 6 de novembro de 2016 e informa que o caso ocorreu na tarde do dia anterior, 5 de novembro. Já a montagem atribuída à parlamentar teria sido publicada no dia 4. Ou seja, não teria como Maria do Rosário ter postado sobre o assunto.

Maria do Rosário se posicionou em suas redes sociais no dia 9 de novembro de 2016 e chamou a montagem de mentira. “Falsificar tweets e postagens se tornou fácil com programas de computador. Tentam atacar nosso mandato com cards falsos, como este, que caluniosamente afirmam que a deputada Maria do Rosário declarou posicionamentos aos quais ela nunca proferiu”, disse.

MAIS UMA MENTIRAA dignidade e a justiça de nosso trabalho seguidamente são atacadas por notícias falsas que rolam pela…

Publicado por Maria do Rosário em Quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A deputada e sua família são alvos constantes de campanhas de desinformação. Ela já solicitou à Polícia Federal que investigasse os autores de publicações que se dirigiam à sua filha de forma depreciativa. Em outra ocasião, um vídeo foi tirado de contexto nas redes sociais para acusar a jovem de defender traficantes.

Maria do Rosário também é alvo de boatos por perfis bolsonaristas, tanto por ser filiada ao PT, quanto pelo fato de ter se envolvido em polêmica com o presidente Jair Bolsonaro, em 2003. Na ocasião, o então deputado federal disse que “não a estupraria” porque ela “não merecia”. Ele acabou tendo de pedir desculpas após decisão judicial, em 2017.

Este conteúdo enganoso também foi checado por Boatos.org.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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