É falso que mãe de PM tenha sido colocada ainda viva em saco para cadáveres no Amazonas

É falso que mãe de PM tenha sido colocada ainda viva em saco para cadáveres no Amazonas

Policial se confundiu ao tentar reconhecer a paciente; vídeo que circula no WhatsApp foi gravado em 2020 no Pará, enquanto idosa esperava liberação de leito em hospital

Victor Pinheiro, especial para o Estadão

24 de março de 2021 | 13h09

É falso que a mãe de um policial militar internada com covid-19 tenha sido resgatada de hospital após ser colocada “como morta” em saco para transporte de cádaveres no Amazonas, como sugere vídeo em grupos do WhatsApp. Já desmentido entre maio e junho de 2020, o boato voltou a circular no aplicativo de mensagens em meio ao anúncio de novas medidas restritivas adotadas por governadores para combater o avanço da pandemia.

Leitores encaminharam o conteúdo falso para o WhatsApp do Estadão Verifica, 11 97683-7490.

O vídeo apresenta o depoimento de um policial, que narra dificuldades de obter informações sobre o estado de saúde de sua mãe em um hospital de Manaus. Na sequência, o conteúdo falso mostra imagens de uma idosa com dificuldade de respirar, deitada em um saco plástico no hospital. O boato, no entanto, se aproveita de um engano do PM para disseminar teorias negacionistas.

Ao receber as imagens fora de contexto, o policial confundiu a paciente deitada no saco plástico com sua própria mãe, Joana Pereira Araque, que estava internada no Hospital Universitário Getúlio Vargas, em Manaus. O depoimento do PM então ganhou espaço em um artigo do site Portal do Holanda publicado em maio. 

No mesmo dia, o site divulgou uma errata com uma nota em que o hospital esclarece que a mãe do policial de fato estava internada na unidade de saúde, mas que a idosa retratada no vídeo era outra pessoa.

“O HUGV nega que essa gravação tenha sido feita dentro da unidade, visto que as imagens não correspondem com nenhum local do hospital e a paciente que aparece no vídeo também não está usando a vestimenta obrigatória para todos os pacientes internados em nosso hospital”, diz o comunicado. 

Conforme apuração da Agência Lupa, Joana Araque se recuperou da doença e recebeu alta. 

A paciente que aparece no vídeo

A mulher filmada deitada no hospital foi internada em uma rede de saúde no Pará. De acordo com reportagem da BBC Brasil, de maio, a Direção da Santa Casa Pacaembu, organização social responsável pela gestão do Hospital Abelardo Santos, em Belém (PA), afirmou em nota que a paciente deu entrada no dia 4 de maio em estado gravíssimo. No dia seguinte, a doença se agravou e a idosa faleceu. 

A instituição ressaltou que “em nenhum momento a paciente foi encaminhada para o necrotério do hospital enquanto viva”. Segundo a organização, o saco plástico que aparece nas imagens é um recurso de suporte para a transferência de pacientes entre macas. Um “método comum em hospitais”, disse a Santa Casa Pacaembu. O diretor técnico do hospital também reforçou a justificativa.

Boato insiste em teoria conspiratória sem fundamento

O vídeo falso ainda apresenta um áudio confuso, que acusa governadores de assinarem decretos emergenciais para ter acesso a verbas do Governo Federal. O autor diz que “assim, eles tem uma justificativa para os falecidos”. Uma mensagem que acompanha envios do vídeo no WhatsApp chega a afirmar que mortes são encomendadas.

Em verificação do projeto Comprova de junho do ano passado, no entanto, o próprio Ministério da Saúde desmentiu que repasses a estados estejam relacionados ao número de mortos. Também é falso que hospitais recebam dinheiro por cada morte de covid-19 registrada

Esse tipo de boato busca diminuir a gravidade da pandemia no País, que já matou mais de 298 mil pessoas. Os conteúdos compartilham de características comuns de materiais enganosos nas redes: afirmações vagas e alarmistas que não têm respaldo em fontes confiáveis. 

Este boato também foi checado pela Agência Lupa, Boatos.org e BBC Brasil.

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