É falso que jornal chileno tenha publicado charge de Bolsonaro defendendo Brasil do comunismo
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É falso que jornal chileno tenha publicado charge de Bolsonaro defendendo Brasil do comunismo

Ilustração voltou a viralizar no Facebook após Chile implementar Assembleia Constituinte

Ana Carolina Santos

08 de julho de 2021 | 12h09

Um post com uma charge atribuída falsamente ao jornal chileno El Mercurio voltou a viralizar no Facebook. Na ilustração, o presidente Jair Bolsonaro impede a entrada do comunismo no Brasil. Trata-se da adaptação de um meme bastante difundido nas redes sociais, comumente usado para ironizar times de futebol que sofrem derrotas. O Estadão Verifica não encontrou a imagem publicada na seção de charges do El Mercurio.

Trata-se de uma representação da morte com uma foice na mão e o símbolo do comunismo. Há quatro portas e em cada uma delas está a bandeira de um país sul-americano. Na imagem, a morte já teria passado por Venezuela e Argentina, deixando um rastro de sangue. Na porta identificada como do Brasil, Bolsonaro aparece com uma arma de grosso calibre, como se estivesse “defendendo” a nação. Em seguida, a morte parte para a porta do Chile. A publicação no Facebook teve mais de 9 mil compartilhamentos.

Em outubro de 2020, o mesmo meme já circulava nas redes sociais e foi verificado pela Agência Lupa. Na ocasião, o Chile havia acabado de aprovar em plebiscito a revogação da então Constituição do País, que entrou em vigor durante a Ditadura Militar chilena. Em julho deste ano, a ilustração voltou a viralizar e foi checada por Aos Fatos, que confirmou com El Mercurio que o jornal nunca publicou uma charge semelhante.

No último dia 4, o Chile implementou sua Assembleia Constituinte. Elisa Loncón, uma intelectual indígena de origem mapuche, foi escolhida para liderar os trabalhos com 96 dos 155 votos. Segundo ela, o objetivo dos constituintes é representar a pluralidade do país e garantir à população direitos sociais e a proteção do meio ambiente.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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