É falso que Índia tenha processado cientista da OMS por desaconselhar ivermectina contra covid
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É falso que Índia tenha processado cientista da OMS por desaconselhar ivermectina contra covid

Na realidade, associação não governamental de advogados indianos enviou notificação extrajudicial para a doutora; vermífugo não tem eficácia comprovada contra o novo coronavírus

Gabi Coelho e Natália Santos, especial para o Estadão

05 de julho de 2021 | 12h51

É falso que a Índia tenha processado uma cientista da Organização Mundial de Saúde (OMS) por desaconselhar o uso de ivermectina para tratar a covid-19. Postagens nas redes sociais alegam que a Ordem dos Advogados indiana entrou com uma ação contra Soumya Swaminathan, cientista-chefe da OMS, e que ela poderia ser penalizada com a morte. Na realidade, uma associação de advogados sem relação com o governo indiano afirmou ter enviado uma notificação extrajudicial para a doutora sobre o assunto.

A OMS informou não ter recebido qualquer processo formal contra Swaminathan e lamentou os ataques dirigidos à cientista nas redes sociais. A entidade internacional analisou 16 ensaios clínicos randomizados e decidiu não recomendar o uso de ivermectina por pacientes de covid-19, por considerar que os estudos disponíveis até o momento são inconclusivos. O medicamento só deve ser utilizado em ensaios clínicos, segundo a organização.

Ao Estadão Verifica, a OMS reforçou que a avaliação sobre a aplicação do vermífugo para o tratamento de covid-19 é “baseada no estado atual de evidências científicas” e que “as diretrizes são desenvolvidas por um grupo independente de desenvolvimento” e atualizadas regularmente. 

Em maio de 2021, Soumya Swaminathan posicionou-se contra a aprovação, por parte do governo do estado indiano de Goa, do uso de ivermectina para o tratamento de covid-19 em pacientes com mais de 18 anos. Na época, a cientista-chefe alertou contra o uso geral da droga e enfatizou a ausência de evidências científicas sobre a eficácia do medicamento na cura da doença.

No fim daquele mês, a Indian Bar Association, uma organização não governamental, divulgou um documento em que acusava Swaminathan de espalhar desinformação sobre a ivermectina. O texto cita como fonte a Front Line Covid-19 Critical Care Alliance (FLCCC), uma organização de médicos americanos conhecida por divulgar tratamentos sem eficácia contra o coronavírus. 

Apesar do nome, a Indian Bar Association não tem função equivalente à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que regulamenta o exercício da advocacia no País e aplica o Exame de Ordem. No país asiático, esse papel é exercido pela Bar Council of India.

A Indian Bar Association se descreve como “uma associação de advogados unidos na causa de trazer transparência e responsabilidade ao judiciário indiano”. A organização informou ao Estadão Verifica ter enviado duas notificações legais para Swaminathan. A mesma entidade processou a China por ter “criado” o SARS-CoV-2, de acordo com o site Boatos.Org. As evidências científicas disponíveis até o momento, no entanto, indicam que o novo coronavírus não foi criado como “arma biológica”.

A Índia se tornou o novo epicentro mundial da covid-19 no início deste ano. É a segunda nação mais afetada pela pandemia em números absolutos, logo atrás dos Estados Unidos — são 30,5 milhões de casos e 402 mil mortes, de acordo com a Universidade Johns Hopkins. Em maio, o país asiático superou o próprio recorde e registrou mais de 414 mil casos de covid em 24 horas. Na fase mais difícil da pandemia, de acordo com a All India Institutes of Medical Sciences (AIIMS), o país utiliza hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina para tratar os pacientes diagnosticados com a doença. 

Leitores solicitaram a checagem deste conteúdo por WhatsApp, (11) 97683-7490O site Boatos.com também publicou uma verificação sobre esse assunto. 

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