É falso que idosa tenha sido enterrada viva em cemitério de São Paulo

É falso que idosa tenha sido enterrada viva em cemitério de São Paulo

Vídeo que circula no WhatsApp mostra confusão entre familiares, que acreditavam ter visto a vítima se mexendo; posteriormente, confirmaram que ela estava de fato morta

Gabi Coelho, especial para o Estadão

20 de abril de 2021 | 13h43

É falso que um vídeo no WhatsApp mostre uma mulher “viva e se mexendo dentro do caixão” antes de ser transportada para um cemitério de São Paulo. Mensagens afirmam que se trata de uma morte forjada para entrar nas estatísticas do novo coronavírus. Na realidade, as imagens retratam uma confusão causada por familiares, que posteriormente confirmaram que a idosa estava de fato morta. A Prefeitura da Capital esclareceu que a causa do óbito não foi registrada como covid-19.

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Usuários compartilharam as imagens no Facebook, YouTube e WhatsApp com o seguinte texto: “hospital informa que a paciente entrou em óbito por covid. Chama a funerária, joga no caixão e manda enterrar. Os familiares desconfiam e vão conferir”. No entanto, segundo a Secretaria de Saúde de São Paulo, apesar da suspeita de que a vítima estivesse com a doença, foi constatado que a causa da morte foi “derrame pleural, insuficiência cardíaca e septicemia”.

O velório de Maria Aparecida Ribeiro ocorreu no dia 26 de março de 2021, no cemitério Dom Bosco, no bairro Perus. Nas imagens, é possível ver familiares da vítima em volta do caixão, alegando que ela estaria se movendo.

Em entrevista para o Portal Jaraguá no Facebook, um dos netos de Maria Aparecida esclareceu o ocorrido. Após pedir para que o carro da funerária abrisse a parte de trás para ver o caixão, surgiu a suspeita de que Maria Aparecida estaria sangrando. “Vi aquele sangue escorrendo [da cabeça da avó] e nas pressas fui, peguei o celular e já gravei o vídeo”, conta o neto da vítima. 

A situação gerou confusão no local e familiares resolveram retirar o caixão do carro e abri-lo para verificar a condição da vítima. Porém, como afirma um dos netos de Maria Aparecida na entrevista, a família percebeu que de fato ela estava morta. Depois disso, segundo a Prefeitura, o sepultamento ocorreu acompanhado pela Guarda Civil Municipal.

De acordo com a Subprefeitura de Perus, o falecimento foi atestado no dia 23 de março e o sepultamento, agendado para o dia 26 do mesmo mês.

Entenda o caso

No dia 14 de março, Maria Aparecida foi internada no Hospital Geral de Taipas, após sofrer um AVC dentro de casa. A Secretaria informou que a equipe de saúde suspeitou que ela também poderia estar com covid-19. “Devido aos sintomas similares aos de covid, foi realizada tomografia e solicitado RT-PCR para o diagnóstico completo”.

No entanto, antes de sair o resultado do teste, o quadro da paciente se agravou, resultando em sua morte. Após o enterro, exames concluíram que ela não contraiu a doença causada pelo novo coronavírus.

“Em nenhum momento foi registrado que seu óbito estava confirmado para covid-19, mas sim como suspeita. O resultado foi negativo e todos os protocolos foram adequadamente seguidos”, explicou a assessoria da Secretaria.

Portanto, o caso de Maria Aparecida não entrou na estatística nos dados do Ministério da Saúde de mortes pela covid-19 em São Paulo. A inclusão de números estaduais e nacionais acontecem somente quando o vírus é detectado.

Esta informação também foi verificada pelas agências de checagem Aos Fatos, Fato ou Fake, Boatos.Org e Agência Lupa

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