É falso que governo argentino tenha bloqueado todas as contas bancárias dos cidadãos
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

É falso que governo argentino tenha bloqueado todas as contas bancárias dos cidadãos

Na realidade, bancos congelaram temporariamente 'movimentações suspeitas' em julho de 2020; boato circula no Facebook

Gabi Coelho

18 de maio de 2021 | 17h46

Circula no Facebook uma postagem com a alegação falsa de que o governo da Argentina bloqueou todas as contas bancárias dos cidadãos e que, por este motivo, o país estaria implementando um regime socialista. Na verdade, segundo a imprensa local, algumas contas digitais foram bloqueadas em julho de 2020 devido a “movimentações não habituais”.

O boato começou a circular no ano passado, quando o peso (a moeda oficial da Argentina) estava desvalorizado. A iniciativa de checagem do jornal Observador, de Portugal, mostrou na época que em agosto um dólar equivalia a 72,45 pesos argentinos. 

Por essa instabilidade financeira ser recorrente, cidadãos convertem o que ganham em dólares. Em 2019, o banco central da Argentina anunciou medidas para preservar as reservas do país. Uma delas foi limitar a compra de moeda estrangeira, fazendo com que cada pessoa adquirisse no máximo US$ 200 por mês permitidos por lei.

Mesmo com essa decisão, os bancos notaram atividades suspeitas ligadas a compra de dólares em nome de terceiros. De acordo com o jornal argentino Ámbito, correntistas usavam a cota de compra de dólares de outras pessoas em troca de uma comissão para aumentar os seus estoques e exceder o limite de US$ 200. Sendo assim, as instituições financeiras bloquearam as contas para não efetuarem o câmbio do peso para o dólar desses clientes até que as operações identificadas como suspeitas fossem justificadas.

Outro detalhe que mostra que a publicação no Facebook traz uma informação duvidosa é a ausência de fontes e dados confiáveis que comprovem como e quando houve o bloqueio das contas bancárias. A presença de erros na escrita e a tentativa de provocar uma briga política nas redes sociais também mostram como o post apresenta características de fake news.

Este boato também foi checado por Boatos.com e Observador.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

Tudo o que sabemos sobre:

argentinadólarfake newsSocialismo

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.