É falso que Google faça votação popular para definir como nomear territórios em disputa

É falso que Google faça votação popular para definir como nomear territórios em disputa

Enquete online para demonstrar apoio a Israel ou a Palestina não tem qualquer ligação com a empresa de tecnologia

Pedro Prata

27 de maio de 2021 | 16h50

É falso que o Google tenha criado uma enquete online para definir como chamar a região que hoje está dividida entre Israel, Cisjordânia e Faixa de Gaza no serviço Google Earth. A gigante da tecnologia informou atualizar informações sobre territórios em disputa por meio de consulta a especialistas em cartografia.

“O Google não possui qualquer relação com a votação”, disse a empresa. “O Google tem políticas e está constantemente consultando especialistas da cartografia para entender qual a melhor forma de indicar nomes de países e fronteiras de territórios que estão em contexto de conflito ou disputa.

Votação online não tem relação com Google. Foto: Reprodução

De acordo com as políticas da plataforma, os territórios disputados são exibidos no Google Maps como uma linha cinza tracejada. Para o Google, fronteiras disputadas são aquelas em que não há concordância sobre um limite territorial.

Ao consultar a região de fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel, é possível ver que ela se baseia no “Acordo de Armistício de 1950”.

Linha tracejada mostra que aquele limite territorial está em disputa. Foto: Google Maps/Reprodução

Já a região de fronteira entre a Cisjordânia e Israel se baseia no “Acordo de Armistício de 1949”.

Linha tracejada mostra que aquele limite territorial está em disputa. Foto: Google Maps/Reprodução

O site “israel-vs-palestine.com” é uma página única com uma votação entre Israel ou Palestina e a frase “Qual lado você apoia?”. Não há nenhuma menção de que seja uma iniciativa do Google nem que a empresa usará a votação para nomear territórios no Oriente Médio dentro da ferramenta Google Earth ou Google Maps. 

O Estadão Verifica consultou a base de dados do site Who.is para procurar informações sobre o dono da página, mas não há informações públicas. A única informação fornecida é que ela está hospedada em um servidor da Lituânia.

Nas redes

O link para o site foi compartilhado por páginas com temática israelense e árabe com a informação de que “o Google lança uma votação para lançar o nome ‘Israel’ ou ‘Palestina’ em seu mapa no Google Earth”.

Esse conteúdo ganhou visibilidade ao ser reproduzido pelo pastor evangélico e deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ). Sua postagem no Facebook foi compartilhada ao menos 646 vezes. No Instagram, recebeu 2.427 reações. O Estadão Verifica entrou em contato com o deputado, mas não houve resposta até a publicação desta checagem. O espaço está aberto.

Um conflito tão politizado quanto a disputa entre Israel e Palestina causa muita desinformação nas redes. O Estadão Verifica já mostrou ser falso que a China tenha oferecido ajuda milionária ao grupo islâmico Hamas.

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