É falso que Exército realize obras de pavimentação na BR-319
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É falso que Exército realize obras de pavimentação na BR-319

Última intervenção feita pelas Forças Armadas na rodovia que liga o Amazonas a Rondônia ocorreu em dezembro de 2007

Gabi Coelho, especial para o Estado

29 de outubro de 2020 | 12h02

É falso que o Exército Brasileiro esteja realizando obras de pavimentação na BR-319, estrada que liga a cidade de Porto Velho, em Rondônia, a Manaus, no Amazonas. Um post com mais de 15 mil compartilhamentos no Facebook exibe a imagem de uma rodovia com asfalto aparentemente novo que, segundo a postagem, teria custado 40% a menos que o valor cobrado por empreiteiras. No entanto, as Forças Armadas negaram atuar em obras nessa rodovia. Esse boato também viralizou em 2019 e voltou a circular recentemente. 

A mesma imagem utilizada no post do Facebook também circulou no Twitter em 2019. Porém, o último registro de obras de recuperação realizadas pelo Exército na BR-319 é de dezembro de 2007, no trecho que liga Humaitá a Manaus, no Amazonas, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A Agência Lupa, que também checou este conteúdo, apurou que na época houve repasse de R$ 31 milhões para execução do serviço pelas Forças Armadas, como parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).  

Em 2019, o Estadão publicou uma reportagem que explica que, desde 2009, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aguarda complementos de um Estudo de Impacto Ambiental (Eia-Rima) para dar continuidade às obras em um trecho de 400 km da BR-319

Também em 2009, o Ibama solicitou que novos estudos fossem efetuados pelo Ministério da Infraestrutura, através do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), órgão responsável por obras em estradas federais. 

Em 2010, o Tribunal de Contas da União (TCU) publicou um documento afirmando que houve irregularidades no andamento das obras. Os responsáveis por executar as atividades eram o 5º Batalhão de Engenharia e Construção (BEC) do Exército e o 7º Batalhão.

O texto detalha que houve problema na qualidade e na consistência do asfalto usado no lote 3 (km 763,6 a 813,6), maior que o projeto original. Já no lote 5 (km 655,7), que liga a região de Humaitá, o TCU alega que não havia estrutura da instituição contratada para realizar a fiscalização das obras.

O Exército enviou ao Estadão Verifica uma planilha que detalha quais obras estão em andamento nas estradas federais do País. Atualmente, são quase 30 sob o comando do Dnit. Entre os projetos, estão obras de restauração e conservação rodoviária, obras de construção ferroviária e outras.

A Agência Lupa também checou esse boato.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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