É falso que Dilma tenha sugerido rodízio para volta às aulas durante pandemia
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É falso que Dilma tenha sugerido rodízio para volta às aulas durante pandemia

Boato inventa que ex-presidente teria declarado que solução para reabertura das escolas está em alunos comparecerem em um dia e professores, em outro

Samuel Lima, especial para o Estado

31 de agosto de 2020 | 14h52

Não é verdade que Dilma Rousseff (PT) tenha sugerido um rodízio para a volta às aulas durante a pandemia de covid-19, como alega boato nas redes sociais. Na peça de desinformação, Dilma aparece defendendo que os alunos compareçam às escolas em um dia e os professores, em outro. O conteúdo falso teve mais de 2,2 mil compartilhamentos no Facebook.

A postagem contém uma série de erros de português e não indica a fonte. O Estadão Verifica não encontrou qualquer registro da suposta declaração na imprensa ou em outra fonte confiável na internet. Procurada pela reportagem, a assessoria de comunicação de Dilma Rousseff também negou a autoria, chamando o conteúdo de uma “mentira”.

Post falso atribui frase inventada a Dilma Rousseff. Foto: Reprodução / Arte Estadão

O debate público sobre a volta às aulas no País aumentou com o início do segundo semestre do ano e as flexibilizações adotadas em diversas localidades nos protocolos de distanciamento social. O governo de São Paulo, por exemplo, deve permitir a reabertura de instituições de ensino em 8 de setembro para regiões em bandeira amarela há mais de 28 dias, como a capital paulista. A retomada geral é esperada para 7 de outubro, mas divide opiniões entre especialistas de saúde, pais e educadores.

Apenas o Amazonas retomou as aulas presenciais da rede estadual de ensino até o momento, de acordo com levantamento do portal G1. Além de São Paulo, outros quatro Estados têm previsão de retomada das aulas presenciais na rede pública: Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Entre as capitais brasileiras, somente três sinalizaram a volta às aulas nas redes municipais: Belém (PA), Florianópolis (SC) e São Luís (MA).

O Boatos.org analisou esse mesmo boato, em maio, e concluiu que a mensagem é falsa.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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