É falso que ‘companheira de cela’ de Dilma tenha negado sofrer tortura durante ditadura
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É falso que ‘companheira de cela’ de Dilma tenha negado sofrer tortura durante ditadura

Jornalista citada em boato nas redes sociais disse que sequer conheceu a ex-presidente

Alessandra Monnerat

07 de janeiro de 2021 | 15h11

É falso que a jornalista Mirian Macedo tenha afirmado que ela e a ex-presidente Dilma Rousseff nunca foram torturadas. Mirian negou, em publicação em um blog pessoal em 2016, que tenha sido companheira de cela da petista. A jornalista afirmou que sequer conheceu a ex-presidente. A tortura sofrida por Dilma durante a ditadura militar está documentada em relatório da Comissão Nacional da Verdade, publicado em 2014.

Documento

Dilma era da liderança da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) e foi presa em janeiro de 1970. Segundo o relatório, ela sofreu tortura psicológica e física, com uso de socos, choques elétricos, palmatória e pau de arara. A ex-presidente teve sequelas como hemorragia uterina e danos na arcada dentária. Os homens identificados como seus torturadores no documento são o capitão Benoni de Arruda Albernaz, chefe na Oban, e o tenente-coronel Maurício Lopes Lima, chefe no DOI-CODI.

No WhatsApp e no Facebook, circula uma imagem que diz que Mirian Macedo teria confessado ter cometido crimes sem passar por tortura. A foto que ilustra o boato, no entanto, não é de Mirian, e sim de outra jornalista, Iza Salles. Em 2014, ela disse à BBC Brasil ter ficado presa com dezenas de outras mulheres, incluindo Dilma Rousseff, e relatou ter sido torturada com choques elétricos.

O boato que circula nas redes sociais diz ainda que Dilma foi presa por ter participado no atentado a bomba que resultou na morte do soldado Mário Kozel Filho, mas isso também é falso. Como já mostrou o Estadão Verifica, o ataque ocorreu em 1968, quando a ex-presidente ainda não fazia parte do grupo responsável pelo ato, a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Dez acusados foram presos e dois mortos pela ditadura militar. 

No final de dezembro, o presidente Jair Bolsonaro levantou dúvidas sobre a tortura sofrida por Dilma. A apoiadores, ele cobrou quemostrassem um raio-X para provar uma fratura na mandíbula. Por meio de uma nota enviada à imprensa, a ex-presidente rebateu a provocação de Bolsonaro, classificando o presidente como “sociopata”, “fascista” e “cúmplice da tortura e da morte”.

Agência Lupa, Aos Fatos e Boatos.Org também checaram este conteúdo.

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