É falso que coalas estejam ‘oficialmente extintos’
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É falso que coalas estejam ‘oficialmente extintos’

Na realidade, status do animal australiano é 'vulnerável', de acordo com entidade de conservação internacional

Tiago Aguiar

13 de outubro de 2020 | 17h10

É falso que os coalas estejam extintos ou “funcionalmente extintos”, ao contrário do que afirmam postagens virais no Facebook. O animal, símbolo da fauna na Austrália, atualmente tem status “vulnerável”. Postagens que ultrapassaram 5 mil compartilhamentos nesta semana reciclam um boato de novembro de 2019, quando incêndios florestais tomaram grandes proporções no país. Desde então, não houve nenhuma alteração significativa noticiada nos ecossistemas dos coalas.

A União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) gerencia a principal referência sobre o estado de conservação de espécie de plantas, animais, fungos e protozoários de todo o planeta: a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas (em inglês, IUCN Red List). Segundo essa listagem, os coalas estão na categoria “vulnerável”.

A metodologia da Lista Vermelha usa uma série de indicadores para indicar o status de uma espécie. A categoria “vulnerável” significa que as evidências disponíveis apontam para um risco elevado de extinção na natureza em um futuro próximo, a menos que as circunstâncias que ameaçam a sobrevivência e a reprodução da espécie em questão melhorem.

Além de vulnerável, há as seguintes categorias: em risco de extinção (endangered); em risco crítico (critically endangered); extinta na natureza (extinct in the wild); e extinta.

O órgão equivalente ao Ministério do Meio Ambiente australiano — o Departamento de Agricultura, Águas e Meio Ambiente — reúne uma base de dados com espécies potencialmente ameaçadas, e nela o coala também é classificado como “vulnerável”.

Dois dos estados australianos que abrigam coalas fizeram levantamentos sobre a população do animal após o fim dos grandes incêndios do ano passado. A classificação de risco de extinção segue a mesma: vulnerável. A metodologia do órgão usa as mesmas cinco nomenclaturas da IUCN.

A expressão “funcionalmente extinto”, usada com frequência nas redes sociais, significa que uma espécie deixou de desempenhar um papel em um ecossistema ou que está em vias de extinção. Na época em que o boato sobre uma possível extinção dos coalas começou a circular, a professora adjunta do Instituto da Mudança Climática e da Faculdade de Biologia e Ecologia da Universidade de Maine Jacquelyn Gill disse ao jornal The New York Times que há muita diferença entre uma situação de calamidade e um ponto irreversível.

Embora fotos de coalas e cangurus queimados tenham se tornado símbolos da vida selvagem que sofreu com os incêndios na Austrália, os especialistas em conservação de espécies observam que esses animais não correm risco de extinção imediata. A preocupação para os biólogos em momentos críticos de destruição de habitat são os animais mais incomuns, como o potoroo de pés longos, um marsupial que vive em um habitat úmido da floresta australiana, e a cacatua preta brilhante da Ilha Kangaroo, que come apenas as sementes dos carvalhos que se incendiaram.

Origem do boato

Em maio de 2019, a CEO da ONG Australian Koala Foundation, Deborah Tabart, usou o termo “funcionalmente extinto” em um comunicado. O texto empregou a expressão, sem embasamento, para se referir a uma possibilidade para o futuro dos coalas. Na mesma semana, um texto da revista britânica de jornalismo científico New Scientist já indicava que o termo era um exagero.

Documento

Este conteúdo também foi verificado pelo E-farsas.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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