É falso que Bolsonaro tenha descoberto ‘venda da Amazônia’ no governo Dilma
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É falso que Bolsonaro tenha descoberto ‘venda da Amazônia’ no governo Dilma

Postagens fazem referência a acordo internacional, amplamente divulgado, com objetivo de ampliar área florestal sob proteção no bioma brasileiro

Tiago Aguiar

29 de setembro de 2020 | 12h25

É falso que o ex-ministro do Meio Ambiente Sarney Filho tenha vendido a Floresta Amazônica “para ONGs por 60 milhões de dólares”. Postagens no Facebook alegam que o presidente Jair Bolsonaro teria descoberto a suposta venda, firmada durante o governo de Dilma Rousseff. Na realidade, as publicações na rede social fazem referência a um acordo — que nunca foi secreto — para aumentar a área florestal sob proteção no bioma brasileiro.

Anunciado em dezembro de 2017, o projeto “Paisagens Sustentáveis da Amazônia” é uma parceira do governo brasileiro com o Banco Mundial, instituição financeira com sede em Washington, nos Estados Unidos, e a ONG Conservação Internacional, também sediada na capital americana. O principal objetivo do programa é  transformar 3 milhões de hectares na Amazônia em unidades de conservação. O acompanhamento dos resultados pode ser visto no site do Banco Mundial — o atual prazo para atingir as metas estabelecidas é abril de 2024.

O projeto tem verba de US$ 60 milhões do Fundo Mundial para o Meio Ambiente Mundial (GEF, na sigla em inglês).

Ao contrário do que alega o texto, Sarney Filho não foi ministro do governo Dilma Rousseff: ele assumiu o cargo à frente do Ministério do Meio Ambiente junto com o ex-presidente Michel Temer, em 12 de maio de 2016. Nos quase dois anos que ficou na chefia da pasta, criou onze unidades de conservação em diversos biomas.

Em janeiro de 2019, no primeiro mês do governo Bolsonaro, o Ministério do Meio Ambiente suspendeu convênios e parcerias com ONGs por 90 dias. Na época, a avaliação foi que os projetos com recursos provenientes do Banco Mundial e do Fundo Mundial para o Ambiente (GEF) poderiam ser paralisados.

Apesar de o ano de 2019 ter sido quase nulo em novas ações relacionadas ao projeto, o último relatório mostra que neste ano várias novas atividades dentro do escopo do programa começaram a ser implementadas.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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