É falso que Anvisa tenha confirmado mortes por vacina contra covid-19 no Brasil
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É falso que Anvisa tenha confirmado mortes por vacina contra covid-19 no Brasil

Publicações que circulam nas redes sociais distorcem dados sobre suspeitas de eventos adversos, não confirmados pela agência; imunizantes aplicados no Brasil são considerados seguros

Victor Pinheiro, especial para o Estadão

03 de março de 2021 | 18h55

É falso que a Anvisa tenha registrado mortes provocadas por vacinas contra a covid-19 no Brasil. Dois textos do site Estudos Nacionais que circulam no Facebook e no WhatsApp distorcem a interpretação de dados do sistema de farmacovigilância da agência, o VigiMed. A plataforma reúne relatos de suspeitas de eventos adversos de vacinas e medicações. No entanto, não há confirmação que esses casos tenham sido provocados pelos imunizantes.

Um dos artigos no site afirma que a Anvisa registrou “26 óbitos por vacinas” nas últimas 24 horas. Outro diz que a agência “confirmou” mais de 30 mortes e 700 eventos adversos no primeiro mês de vacinação. Diante dos boatos, a Anvisa publicou nesta terça-feira, 2, uma nota na qual esclarece que “os dados públicos de notificações do uso de vacinas para covid-19 não indicam qualquer relação das vacinas com eventos adversos graves ou óbitos no País.” 

É falso que Anvisa tenha confirmado mortes por vacina no Brasil

“Até o momento, não há nenhum caso de óbito conhecido que tenha relação estabelecida com o uso das vacinas para covid-19 autorizadas no País. As vacinas em uso no País são consideradas seguras”, reforça o comunicado. “Já é esperado que pessoas venham a óbito por outros motivos de saúde e mesmo por causas naturais”. 

A campanha de vacinação nacional contra o novo coronavírus atualmente conta com os imunizantes Coronavac, produzido pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório Sinovac, e Oxford-Astrazeneca, promovido no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os dois produtos receberam autorização emergencial da Anvisa após avaliação de dados de eficácia e segurança gerados em ensaios clínicos.

Segundo a nota da agência, as notificações do VigiMed representam apenas uma fonte de um conjunto de informações que ajudam a agência a monitorar e avaliar o risco de uma substância farmacológica. Esses registros são enviados por profissionais de saúde e fabricantes mediante suspeitas de eventos adversos.

“Como são dados notificados por terceiros, eles são considerados de menor evidência científica e servem apenas como sinalizadores para o trabalho de monitoramento da Anvisa.”, explica a agência. 

A própria plataforma do VigiMed alerta sobre os cuidados de interpretação dos dados do sistema. Para acessar o painel de notificações de farmacovigilância, usuários devem confirmar ter lido um comunicado com orientações acerca dos registros de eventos adversos. 

O texto indica que “o número de notificações não pode ser interpretado ou utilizado isoladamente para formular conclusões sobre a existência, severidade ou frequência de problemas associados a medicamentos e vacinas”. Outro trecho aponta que, “embora os eventos tenham sido observados após a administração de determinado medicamento e vacina, não é possível ter certeza que estejam relacionados ou tenham sido causados por estes”. 

O projeto Fato ou Fake, do portal de notícias G1, também verificou o boato

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