É falsa postagem sobre votação de deputados para ‘não abrir mão dos salários’
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É falsa postagem sobre votação de deputados para ‘não abrir mão dos salários’

Propostas protocoladas na Câmara que pedem transferência de até 100% dos subsídios para o Sistema Único de Saúde ainda não foram votadas

Pedro Prata

07 de abril de 2020 | 16h49

Leia a versão em espanhol

Uma publicação falsa nas redes sociais afirma que os deputados federais teriam votado e rejeitado uma proposta de “abrir mão dos seus salários e do fundo parlamentar”. As duas propostas existem e visam destinar os recursos para o enfrentamento da pandemia da covid-19, mas dependem da mesa diretora da Câmara para serem distribuídos e posteriormente colocados em votação. Isso ainda não havia ocorrido até a publicação desta reportagem.

Plenário da Câmara dos Deputados. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Autor de uma das proposições, o Projeto de Decreto Legislativo 91/2020, o deputado Celso Maldaner (MDBSC) acredita que o subsídio dos parlamentares deveria ser integralmente destinado ao Sistema Único de Saúde. “Como representantes do povo, é justo que a verba pública seja destinada aos que precisam dela nesse momento, a população brasileira carece de hospitais com leitos, de profissionais, de produtos e equipamentos”, justifica.

Documento

Maldaner também é autor do Projeto de Lei Complementar 79/2020 que procura destinar ao SUS 50% do saldo processado para este ano da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar. Apresentado em 6 de abril, este projeto também não foi distribuído nem colocado em votação.

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Outros seis deputados apresentaram Projetos de Decreto Legislativo com redução parcial no salário de R$ 33.763,00. Coronel Tadeu (PSL-SP), Marco Feliciano (Podemos-SP), Rodrigo Coelho (PSB-SC) e Ruy Carneiro (PSDB-PB) pedem redução de 50%, ao passo que Clarissa Garotinho (Pros-RJ) e Chris Tonietto (PSL-RJ) buscam diminuir os próprios salários em 20%.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas: apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

Versão em espanhol

Texto traduzido pelo LatamChequea, grupo colaborativo que reúne dezenas de fact-checkers da América Latina no combate à desinformação relacionada ao novo coronavírus.

Es falso el posteo sobre la votación de diputados para “no renunciar a sus salarios”

Una publicación falsa en las redes sociales afirma que los diputados federales habrían votado y rechazado una propuesta de “renunciar a sus salarios y al fondo parlamentario”. Las dos propuestas existen y buscan destinar recursos para combatir la pandemia de Covid-19, pero dependen de que la mesa directiva los distribuya y, posteriormente, los ponga a votación. Hasta la publicación de esta nota eso todavía no había sucedido.

El diputado Celso Maldaner (MDBSC), autor de una de las propuestas del Proyecto de Decreto Legislativo 91/2020, cree que el subsidio de los legisladores debería ser destinado en su totalidad al Sistema Único de Salud. “Como representantes del pueblo, es justo que el dinero público se destine a los que lo necesitan en este momento, la población brasileña carece de hospitales con camas, carece de profesionales, productos y equipos”, justifica.

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Maldaner es autor también del Proyecto de Ley Complementaria 79/2020 que propone destinar al SUS el 50% del saldo procesado para este año de la Cuota para el Ejercicio de la Actividad Parlamentaria. Este proyecto, presentado el 6 de abril, tampoco ha sido distribuido ni puesto a votación.

Documento

Otros seis diputados presentaron Proyectos de Decreto Legislativo con una reducción parcial del salario de R$ 33.763,00. Coronel Tadeu (PSL-SP), Marco Feliciano (Podemos-SP), Rodrigo Coelho (PSB-SC) y Ruy Carneiro (PSDB-PB) piden una reducción del 50%, mientras que Clarissa Garotinho (Pros-RJ) y Chris Tonietto (PSL-RJ) proponen disminuir sus salarios en un 20%.

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