Diante da crise, uma nova fonte de renda na Macedônia
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Diante da crise, uma nova fonte de renda na Macedônia

Cidade supera fechamento de usinas, aumento do desemprego e movimenta a economia espalhando notícias falsas

Andrei Netto, enviado especial / Veles, Macedônia

16 Junho 2018 | 16h49

VELES, MACEDÔNIA – Veles é uma das cidades mais poluídas da Europa. Por anos, sobreviveu graças a um parque de usinas responsável por emissões de chumbo e zinco na atmosfera. Hoje, sua principal indústria é a do fake news, uma alternativa de renda para jovens sem perspectiva. A decadência de Veles lembra a do “Cinturão da Ferrugem”, nos EUA, onde o presidente Donald Trump tem forte apoio. Também decadente, o centro da Macedônia tem uma história ligada à americana.

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Em 2012, teve início uma onda de criação de sites dedicados a “caçar cliques” em redes sociais e, com isso, faturar com publicidade barata paga pelo Google. A estratégia começou com páginas de “alimentação saudável” que se tornaram febre na internet. Pioneiros no setor, os irmãos Borce e Aleksandar Velkoski fizeram fortuna com um site amador, cujo conteúdo é distribuído em redes sociais. Ricos, famosos e admirados na cidade, onde abriram a principal boate, eles se tornaram referência de jovens em busca de fortuna na internet. Ao Estado, Aleksandar negou que ele e o irmão tenham inundado a web americana de fake news durante as eleições de 2016. Avesso a entrevistas, fez silêncio ao telefone ao ser questionado sobre o bloqueio de sites por Google e Facebook. “Não quero falar a respeito. Não estou mais nesse business. Nunca trabalhei com política. Deixe-me em paz.”

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Autores de fake news conhecidos na cidade, como Teador Indov, Miron Brezev, Marijancho Markov e Mario Petrushev, não responderam aos pedidos de entrevista. Eles eram responsáveis por sites hoje fechados, mas que podem ter sido recriados com identidades e endereços alternativos nos EUA. Durante dois anos, Blagoj Zdravev, dono do Drama Café, ponto de encontro dos jovens que fazem “fake news” em Veles, testemunhou o início da indústria da mentira.

“Os jovens descobriram uma forma muito interessante de fazer dinheiro usando o sistema de publicidade do Google, AdSense, onde tudo é legal, para monetizar sites e perfis sobre a política americana que criavam na internet e no Facebook”, explica Zdravev. “Eles nem ligam para o conteúdo. Muitas vezes, publicam apenas a manchete, nem mesmo com um texto. É muito fácil manipular os americanos. É só escrever qualquer bobagem e você será remunerado. É matemática.”

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