Foto do exército chinês é usada fora de contexto em postagens sobre desfile militar em Brasília

Foto do exército chinês é usada fora de contexto em postagens sobre desfile militar em Brasília

Um dos que compartilhou imagem antiga foi o deputado Otoni de Paula (PSC-RJ), que depois disse que foto era 'ilustrativa'

Pedro Prata

10 de agosto de 2021 | 17h40

A foto de um desfile militar chinês de 2019 circula fora de contexto nas redes sociais, em postagens que relacionam a imagem ao desfile de blindados e veículos militares em Brasília na manhã desta terça-feira, 10. A manobra bélica na Praça dos Três Poderes provocou reação institucional por ocorrer no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados vota a PEC do voto impresso.

No Facebook, postagens usavam a foto antiga para exaltar a “tanqueceata” de Bolsonaro — uma junção das palavras tanque e passeata, em referência às “motociatas” com o presidente. A imagem mostra ao menos 28 blindados desfilando.

Desfile do exército chinês compartilhado como se fosse do exército brasileiro

Por meio do mecanismo de busca reversa do Google (aprenda a usar aqui), é possível ver que a foto é de 1º de outubro de 2019. Ela foi publicada no jornal peruano El Comercio na reportagem “China exibe suas novas armas de superpotência global”. O texto diz que o desfile militar pretendia mostrar a modernização do exército chinês.

Imagens são de desfile militar chinês. Foto: El Comercio/Reprodução

Quer ver as reais fotos do desfile militar em Brasília? O Estadão flagrou a chegada dos blindados e demais veículos na noite desta segunda-feira. Confira aqui.

O deputado federal Otoni de Paula (PSC/RJ) também postou a fotografia fora de contexto no Twitter, com uma legenda elogiosa ao ato militar.

“Oh, Formosa! Nunca uma simples manobra militar mexeu tanto com meu patriotismo”, escreveu Otoni de Paula, em referência à cidade onde deverá se realizar um treinamento militar e para o qual Bolsonaro foi convidado. O parlamentar publicou o tuíte às 6h, mais de 2 horas antes do início previsto do desfile em Brasília.

Usuários do Twitter perceberam o uso da foto fora de contexto e não perderam tempo em fazer piada com a situação. Prevaleceu a ironia com o fato de a foto ser da China, um país constantemente criticado pela base ideológica do presidente Bolsonaro, da qual Otoni de Paula faz parte.

Em resposta, o deputado afirmou que “a foto é somente ilustrativa e para mostrar para os esquerdistas que em qualquer país, até na China, tem manobra militar. Fiquem calmos”. Depois, ele apagou o tuíte com a imagem fora de contexto, e provocou os opositores que o criticaram por compartilhar a foto.

Não é a primeira vez que o parlamentar publica conteúdo desinformativo nas redes. O Estadão Verifica já mostrou ser falso que o Google faça votação popular para definir como nomear territórios em disputa. Na ocasião, Otoni de Paula disse que a gigante da tecnologia estaria pedindo a ajuda de internautas para usar o nome Palestina ou Israel em seus mapas.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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