Declaração de Lula sobre funcionários públicos é distorcida

Declaração de Lula sobre funcionários públicos é distorcida

Depois que ministro Paulo Guedes comparou funcionários públicos a parasitas, discurso de ex-presidente foi adulterado para sugerir que ele também atacou servidores

Tiago Aguiar

26 de fevereiro de 2020 | 22h00

É falso que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha dito que “mesmo o político ladrão é mais digno que um funcionário público concursado”. Imagens com a expressão e a foto de Lula circulam no Facebook.

A frase é uma distorção de uma comparação entre políticos e funcionários públicos feita pelo ex-presidente, em 15 de setembro de 2016, durante coletiva de imprensa em São Paulo.

Na ocasião, Lula defendia a classe política. “Eu de vez em quando falo que as pessoas achincalham muito a política, mas a profissão mais honesta é a do político, sabe por quê? Porque todo ano, por mais ladrão que ele seja, ele tem que ir pra rua encarar o povo e pedir voto. O concursado não. Se forma na universidade, faz um concurso e tá com um emprego garantido para o resto da vida”, disse.

Na época, segundo o jornal O Globo, o presidente da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac), Marco Antônio Araujo Junior, classificou a comparação do ex-presidente como “leviana” e “absurda”.

A falsa declaração atribuída a Lula começou a circular quando o ministro da Economia, Paulo Guedes, comparou funcionários públicos a parasitas. No último dia 7, Guedes participou de palestra promovida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e disse: “O funcionalismo teve aumento de 50% acima da inflação, tem estabilidade de emprego, tem aposentadoria generosa, tem tudo. O hospedeiro está morrendo. O cara (funcionário público) virou um parasita e o dinheiro não está chegando no povo”.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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