Cubano mostrado em foto recebendo benção antes de ser morto era soldado, não camponês
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Cubano mostrado em foto recebendo benção antes de ser morto era soldado, não camponês

Imagem ganhou o Prêmio Pulitzer de 1960, mas circula fora de contexto nas redes

Pedro Prata

09 de setembro de 2020 | 14h07

Uma foto que mostra um soldado cubano do regime derrotado de Fulgencio Batista momentos antes de ser fuzilado circula nas redes sociais fora de seu contexto original. No Facebook, a imagem foi publicada com legenda que afirma o homem retratado é um camponês que foi morto ao se recusar a trabalhar para o regime de Fidel Castro. Uma versão da postagem foi compartilhada 10 mil vezes. Posts idênticos também foram encontrados no Twitter e foram checados por agências de outros países.

“Essa foto ganhou o (Prêmio) Pulitzer“, diz a legenda da postagem. “Um padre dando a última bênção a um camponês cubano, proprietário de terra, que se recusou a trabalhar para o regime de Fidel Castro, e que foi condenado por “Che”, sem direito à defesa, a morrer por fuzilamento. Você nunca verá essa foto na camiseta de um comunista”.

Homem na foto é ex-combatente do exército derrotado de Fulgencio Batista. Foto: Reprodução

O mecanismo de busca reversa do Google permite identificar a primeira vez em que a imagem foi publicada. A pesquisa levou à página do Prêmio Pulitzer, maior honraria do jornalismo nos Estados Unidos.

O registro valeu ao fotógrafo Andrew Lopez, da United Press International (UPI), a premiação na categoria Fotografia em 1960. Lopez foi parte de um grupo de fotojornalistas que receberam autorização de Fidel Castro para registrar livremente o que quisessem. Ele decidiu fotografar os julgamentos e execuções de ex-combatentes do exército derrotado de Fulgencio Batista.

O homem na foto é Jose Cipriano Rodriguez, segundo consta no site da agência de notícias UPI. A legenda da foto informa que ele foi executado em 17 de janeiro de 1959 por ter matado dois homens do exército de Castro. Seu julgamento durou um minuto.

É possível encontrar a foto no site do Prêmio Pulitzer. Foto: Pulitzer/Reprodução

A foto também está disponível no acervo da agência Getty Images. Nenhum dos sites onde o Verifica encontrou a fotografia informam se Che Guevara teria participação na execução de Rodriguez.

A Revolução Cubana começou como uma guerrilha nacionalista, em 1959. Liderada por Fidel Castro, derrubou o governo ditatorial de Fulgencio Batista, iniciado em 1952 por meio de um golpe militar.

Cuba é uma ilha no Caribe muito próxima ao território dos Estados Unidos. Por isso, os norte-americanos acompanharam com tensão as mudanças políticas da ilha. Os EUA romperam relações com Cuba e tentaram derrubar seu governo em 1961, sem sucesso. A rivalidade com os Estados Unidos acabou tornando Cuba uma aliada da da União Soviética no período da Guerra Fria.

Este conteúdo também foi checado pelas agências Lupa, do Brasil, Polígrafo, de Portugal, Maldita.Es, da Espanha, e Bolivia Verifica, da Bolívia.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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