Crucifixo usado pelo Papa tem imagem de Jesus segurando ovelha, e não de ‘faraó’
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Crucifixo usado pelo Papa tem imagem de Jesus segurando ovelha, e não de ‘faraó’

Cruz é usada por Francisco desde antes do início de seu pontificado, e é de modelo mais simples do que as de seus antecessores

Tiago Aguiar

06 de novembro de 2020 | 15h35

Uma foto do Papa Francisco, com destaque no seu crucifixo, tem sido compartilhada fora de contexto nas redes sociais. Na imagem, o pontífice usa uma cruz peitoral, em que Jesus Cristo é retratado segurando uma ovelha e cercado de animais. Postagens no Facebook afirmam que não é a imagem de Jesus no símbolo religioso, o que é falso.

Posts no Facebook afirmam que no crucifixo do Papa há “a imagem de uma pessoa com os braços cruzados, à semelhança de um Faraó do antigo Egito”, o que não é verdade. Com a ferramenta de verificação de imagens InVid, é possível visualizar mais precisamente o objeto. Abaixo, uma captura de tela de uma foto do Papa retirada da página oficial do Vaticano.

A representação de Jesus como pastor, rodeado de ovelhas, muitas vezes carregando um dos animais, é uma referência à parábola conhecida como “Bom Pastor”, encontrada na Bíblia no décimo capítulo do Evangelho de João. Há milhares de ilustrações dessa narrativa desde os primeiros séculos do Cristianismo. No adorno papal, Jesus está de braços cruzados pois segura uma ovelha em seus ombros.

Francisco usa essa peça desde antes de ser eleito Papa. A foto utilizada no boato foi publicada pela United Press International em fevereiro de 2019.

A legenda ainda afirma que Francisco usa sapatos pretos, o que é verdade desde seu primeiro ano de papado. Na época, foi notado que ao usar sapatos sociais pretos comuns ele estava descontinuando uma tradição de usar sapatilhas vermelhas nas atividades externas de seu mandato. Os sapatos foram apenas um dos elementos que o líder da Igreja Católica mudou no código de vestimenta.

Esse gesto, assim como a recusa de usar uma cruz peitoral parecida com a de pontífices anteriores, foi lido por especialistas como um transmissão de estilo simples. Isso está de acordo com a escolha do nome papal Francisco, que faz referência a São Francisco de Assis, frade que fez voto de extrema pobreza e fundou a ordem dos Franciscanos. Em 2013, quando eleito, o pontífice explicou que escolheu o nome para lembrar o trabalho de Francisco de Assis pela paz e pelos pobres.

Estadão Verifica já checou um boato que dizia que o Papa estaria portando um crucifixo com as cores LGBT. Também desmentimos que um homem que aparece de mãos dadas com o pontífice seja um ativista gay e mostramos que uma foto do religioso fazendo gesto obsceno foi adulterada.

Este conteúdo também foi verificado pelo Aos Fatos.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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