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Corrente no WhatsApp cita valores errados de despesas de campanhas de Bolsonaro e Dilma

Boato diz ainda que médicos da Santa Casa agradeceram doação de restos da campanha do PSL; instituição negou que tenha recebido valores

Renato Vasconcelos, especial para o Estado, e Alessandra Monnerat

31 de outubro de 2018 | 17h27

Uma corrente divulgou números errados sobre os gastos de campanha de Jair Bolsonaro (PSL) durante as eleições de 2018 e de Dilma Rousseff (PT) em 2014. A mensagem enganosa aumenta em R$ 14 milhões as despesas declaradas pela petista e reduz em R$ 750 mil as do presidente eleito. O boato foi enviado ao Estadão Verifica no número de WhatsApp (11) 99263-7900.

A corrente também faz referência a uma doação inexistente à Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, de R$ 2 milhões não gastos por Bolsonaro durante a corrida presidencial. O capitão reformado foi atendido no hospital depois de ser atacado com faca no dia 6 de setembro. A legislação eleitoral não permite a doação — de acordo com o artigo 53 da Resolução nº 23.553, aprovada em dezembro passado, as sobras de campanha devem retornar ao partido. O hospital desmentiu que tenha recebido qualquer valor.

Uma das versões da corrente afirma que médicos da Santa Casa se manifestaram agradecendo a suposta doação de Bolsonaro. A assessoria da instituição, no entanto, nega que tenha se posicionado oficialmente sobre o assunto. O hospital informou ainda que não recebeu nenhum contato formal da equipe do presidente eleito.

O texto do boato ganhou as redes após uma declaração do presidente eleito no Twitter (veja abaixo). A corrente diz que, durante a campanha, Bolsonaro recebeu R$ 3,4 milhões em doações, dos quais só teria gasto R$ 1,4 milhão. O valor restante seria transferido ao hospital mineiro. A mensagem informa ainda que Dilma teria declarado gastos de R$ 364 milhões em campanha, mas que a Operação Lava Jato teria descoberto que o valor, na verdade, foi de 1,2 bilhão. As informações são enganosas.

De acordo com a plataforma de prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bolsonaro declarou receitas de campanha no valor de R$ 4.150.097,17, mais do que o apresentado na mensagem. Já as despesas foram de R$ 2.452.212,91, montante também superior ao que apresenta o texto. Os valores do TSE ainda podem ser alterados, uma vez que a prestação de contas ainda não terminou.

Quanto às informações enganosas sobre Dilma Rousseff, o valor declarado ao TSE durante a campanha eleitoral de 2014 foi, na verdade, de R$ 350.493.401,70. O pleito em questão foi o último a permitir o financiamento privado, de forma que os valores das campanhas no ano em questão foram, em geral, superiores aos gastos em 2018.

Sobre o valor de R$ 1,2 bilhão em despesas eleitorais de 2014 descobertos pela Lava Jato, a mensagem carrega uma inconsistência. Em depoimento à força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, o ex-ministro Antônio Palocci disse que as campanhas presidenciais de 2010 e 2014, custaram R$ 600 mil e R$ 800 mil, respectivamente. O valor somado, de R$ 1,4 bilhão, é R$ 200 milhões superior ao citado no compartilhamento pelo WhatsApp. Ainda não foram comprovados os fatos citados por Palocci em sua delação.

No Facebook, uma versão do boato teve 6,1 mil compartilhamentos em pouco menos de 24 horas.

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