Coronavírus: postagens inventam profecia de Nostradamus sobre pandemia
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Coronavírus: postagens inventam profecia de Nostradamus sobre pandemia

Texto que fala em 'rainha' que surgiria do 'Oriente' é falso

Alessandra Monnerat

16 de março de 2020 | 15h10

Desde o início da transmissão do novo coronavírus, as redes sociais se encheram com falsas “profecias” que teriam antecipado o surgimento da covid-19. Boatos inventavam previsões em livros, filmes e até mesmo no desenho Os Simpsons. Agora, a bola da vez é Nostradamus: publicações no Facebook alegam que o francês publicou em 1555 versos que previam as características do novo coronavírus. Mas não há evidências que Nostradamus tenha escrito esse texto.

Uma imagem compartilhada mais de 2 mil vezes no Facebook desde sábado, 14, afirma que a “profecia” fala em uma “rainha” (corona) que surgiria do “Oriente” (China) no “ano dos gêmeos” (2020). O texto contém um erro de ortografia: a palavra anciões está escrita com S.

Profecia falsa de Nostradamus que circula no Facebook. Foto: Reprodução/Facebook

O Estadão Verifica consultou uma cópia em francês e inglês do livro Les Prophéties, a coleção de versos publicados por Michel de Nostredame em 1555, e não encontrou o trecho que viralizou nas redes sociais. Os sites de checagem E-Farsas, Boatos.Org e Maldita.Es (Espanha) também fizeram a mesma consulta e não acharam referências à tal previsão.

Veja outras informações falsas sobre o coronavírus que circulam no WhatsApp.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

 

 

 

 

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