Coronavírus: imagens de mercado de animais são da Indonésia, e não da China
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Coronavírus: imagens de mercado de animais são da Indonésia, e não da China

Vídeo que viralizou no Facebook foi gravado antes de início da epidemia recente

Alessandra Monnerat

31 de janeiro de 2020 | 19h23

Leia a versão em espanhol

Imagens de um mercado de rua que vende diversos animais mortos, como cachorros, ratos, morcegos e serpentes, viralizaram no Facebook após a disseminação do novo coronavírus. A gravação, no entanto, não é de Wuhan, na China — epicentro da epidemia — e sim de Langowan, na Indonésia. Um dos vídeos que identificam erroneamente o lugar como um mercado chinês obteve mais de 5 milhões de visualizações em quatro dias.

As mesmas imagens já haviam sido divulgadas no YouTube em julho de 2019, sem nenhuma relação com o coronavírus. 

Entre os sites que checaram o vídeo estão Newtral (Espanha), Boom e Factly (Índia), AFP (Filipinas), E-Farsas e Fato ou Fake (Brasil).

Os mercados de animais silvestres da China podem estar ligados ao surgimento da nova cepa de vírus. A epidemia do novo coronavírus gerou apelos para que o governo crie regulamentações mais rigorosas para venda de carnes de caça.

Mercados de animais silvestres na China podem estar ligados ao coronavírus Foto: Reuters

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

Versão em espanhol

Texto traduzido pelo LatamChequea, grupo colaborativo que reúne dezenas de fact-checkers da América Latina no combate à desinformação relacionada ao novo coronavírus. 

Coronavirus: las imágenes del mercado de animales son de Indonesia, no de China

Imágenes de un mercado al aire libre que vende diversos animales muertos, como perros, ratones, murciélagos y serpientes, se viralizaron en Facebook luego de la propagación del nuevo coronavirus. Pero la grabación no es de Wuhan, en China, epicentro de la epidemia, sino de Langowan, en Indonesia. Uno de los videos que identifica erróneamente al lugar como un mercado chino obtuvo más de 5 millones de visualizaciones en cuatro días.

Las mismas imágenes ya habían sido divulgadas en YouTube en julio de 2019, sin ninguna relación con el coronavirus.

Entre los sitios que chequearon el video están Newtral (España), Boom y Factly (India), AFP (Filipinas), E-Farsas y Fato ou Fake (Brasil).

Los mercados de animales silvestres de China pueden estar vinculados al surgimiento de la nueva cepa del virus. La epidemia del nuevo coronavirus generó apelaciones para que el gobierno instrumentara reglamentaciones más rigurosas para la venta de carnes de caza.

 

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