‘Comprova’ verifica 77 publicações em 2019; 41% eram enganosas
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‘Comprova’ verifica 77 publicações em 2019; 41% eram enganosas

Coalizão de combate à desinformação encerra sua segunda edição; ‘Estado’ foi responsável por 32 checagens

Alessandra Monnerat

14 de dezembro de 2019 | 05h00

Na internet, as informações falsas se espalham rapidamente e dão trabalho aos jornalistas que têm a missão de desmenti-las. Ontem, se encerrou mais uma edição do Projeto Comprova, uma coalizão de 24 veículos de imprensa, incluindo o Estado, que desbancou boatos online sobre políticas públicas federais. Ao longo da semana, os participantes da iniciativa publicaram relatos sobre as investigações mais desafiadoras (veja exemplos ao final da matéria).

Um dos estudos de caso contou a história de um suposto diamante gigante que teria sido contrabandeado por uma ONG da Amazônia para a França. Para desbancar a mentira, jornalistas do Estado e da agência AFP procuraram por uma semana pelos garimpeiros baianos que acharam a pedra — um cristal, não um diamante.

O editor-chefe do Comprova, Sérgio Lüdtke destacou o rigor com que os jornalistas do projeto apuraram as informações. “Tivemos a obsessão de encontrar a fonte original, a primeira pessoa que compartilhou o conteúdo. Também trouxemos informações de contexto, que tornaram as verificações mais complexas”, afirmou.

Um dos principais motes da coalizão foi a transparência, segundo o jornalista: “Dividimos com o público tudo que obtivemos em nossas investigações”.

Desde julho, os jornalistas do Comprova se debruçaram sobre 77 publicações que viralizaram nas redes sociais. A maior parte (41%) foi considerada enganosa — por exemplo, fotos e vídeos retirados de seu contexto original com o intuito de enganar. Outros 38% foram marcados como falsos — mentiras inventadas, espalhadas de forma deliberada. O Estado foi o veículo da coalizão que mais produziu checagens: 32 ao todo. Segundo Lüdtke, boatos seguiram temas mais quentes da política nacional, como meio ambiente e educação.

A coalizão do Comprova foi montada pela primeira vez em 2018, por iniciativa da organização internacional First Draft e sob a coordenação da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo). Neste ano, Facebook Journalism Project, WhatsApp e Google News Initiative patrocinaram o projeto.

No Comprova, equipes de diferentes veículos de imprensa se juntam para checar conteúdos virais. Concluída a investigação, representantes de outros integrantes da coalizão revisam as informações. Durante o ano passado, a iniciativa desbancou informações falsas sobre os candidatos à Presidência. Em 2020, o objetivo é que o Comprova volte à ativa para as eleições municipais.

Navio apontado como sendo venezuelano é, na verdade, de Portugal, e vídeo não foi feito no Nordeste

O avião apagava um incêndio na Amazônia boliviana, e não na floresta no Brasil, como circulou nas redes sociais

 

Informação falsa dizia que presidente da UNE estava matriculado em faculdade desde 2004

 

 

 

Após consulta a garimpeiros, foi comprovado que cristal não era um diamante retirado da Amazônia

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