Como publicar sobre desinformação, extremismo e teorias da conspiração: um guia do First Draft
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Como publicar sobre desinformação, extremismo e teorias da conspiração: um guia do First Draft

Recomendações da organização que criou o projeto Comprova no Brasil incluem não amplificar posts com poucos compartilhamentos

Alessandra Monnerat

10 de outubro de 2019 | 11h50

Produtores de conteúdo falso têm cada vez mais métodos rápidos e refinados de espalhar desinformação que confunde leitores e causa divisões na sociedade. Para os jornalistas, que muitas vezes usam as redes sociais como fonte, é um desafio publicar informações de forma responsável e rápida, especialmente em situações de urgência, em que a rapidez do noticiário se impõe. Por isso, a organização First Draft, que criou no Brasil o projeto Comprova, lançou um guia com dicas para escrever de maneira ética sobre conteúdo online.

Abaixo, alguns ensinamentos do guia “Publicar com responsabilidade na era da desordem informacional”. As dicas valem para jornalistas e para pessoas que querem tomar mais cuidado com suas publicações nas redes.

O ponto de inflexão: quando falar sobre um assunto que vi nas redes sociais?

Quando nos deparamos com conteúdo falso, revoltante ou conspiratório, temos o impulso de desmenti-lo. Mas discutir sobre posts que circulam apenas em nichos ou que alcançaram poucas pessoas pode ter o efeito negativo de amplificar a desinformação. Os produtores de conteúdo enganoso consideram uma vitória conseguir emplacar um debate nas redes sociais ou uma cobertura na imprensa profissional.

Por isso, é preciso estar atento ao chamado “ponto de inflexão”: nem muito cedo, nem tarde demais. O ideal é comentar sobre assuntos que já ganharam visibilidade em diferentes plataformas ou que viralizaram em uma rede social.

Como cobrir o extremismo?

Muitas vezes, após um ataque terrorista ou um tiroteio em massa, a imprensa procura nas redes sociais do responsável pelo ataque explicações para a motivação por trás do crime. Isso ocorreu após o massacre na mesquita Christchurch, na Nova Zelândia, quando vários veículos de mídia publicaram o “manifesto” deixado pelo atirador

Vítima é levada até ambulância após ataque à mesquita Masjid Al Noor, na Nova Zelândia. Foto: Martin Hunter/ SNPA/ Reuters

O First Draft, no entanto, questiona se é adequado divulgar essas ideias extremistas — e até mesmo se é possível usar a palavra “manifesto” nesse caso. A recomendação é ter cuidado para não usar linguagem que legitime ou promova conteúdo de ódio. 

Como discutir sobre teorias da conspiração?

Da mesma forma como acontece em casos de extremismo, o debate sobre teorias de conspiração deve ser cercado de cuidados para não amplificar ou validar ideias conspiratórias. Aqui, a recomendação do First Draft é situar a narrativa dessas ideologias dentro do contexto de onde elas surgiram e das motivações que podem estar por trás dessas ideias. O jornalista também deve ter o zelo de não fazer piada das teorias da conspiração — essa atitude pode levar a um fortalecimento dessas crenças.

Devo fornecer links ou retuitar conteúdo falso, conspiratório ou extremista?

Ferramentas de busca como o Google hierarquizam seus resultados de acordo com a quantidade de cliques que um link recebe, entre outros fatores. Se você deseja apontar inconsistências em um conteúdo enganoso ou alertar seus seguidores sobre um site que dissemina ódio ou extremismo, avalie a possibilidade de usar imagens do site em questão.

Da mesma forma, pense duas vezes antes de compartilhar mensagens falsas ou de ódio em suas redes sociais, mesmo que para criticá-las. Você também estará amplificando aquele conteúdo.

 

Veja a publicação completa (em inglês):

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