Cinco perguntas para se fazer ao receber um conteúdo duvidoso e evitar espalhar desinformação
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Cinco perguntas para se fazer ao receber um conteúdo duvidoso e evitar espalhar desinformação

Veja dicas de como identificar boatos que circulam nas redes sociais e no WhatsApp

Jullie Pereira, especial para o Estadão

03 de julho de 2021 | 05h00

Conteúdos desinformativos são espalhados todos os dias nas redes sociais e no WhatsApp. Por isso, é importante criar o hábito de checar as informações antes de repassá-las. Você recebeu uma mensagem alarmante que te faz querer compartilhá-la imediatamente? É necessário ter cuidado. Fazer algumas perguntas pode te ajudar a evitar um engano.

O jornalista Sérgio Lüdtke, editor do Projeto Comprova, coalizão formada por 33 veículos de imprensa para combater desinformação, alerta para que a atenção se volte ao que são “gatilhos” de desconfianças. Ele lista como sinais vermelhos: teorias conspiratórias, mensagens que parecem notícias mas não trazem fontes originais, conteúdos que não trazem opiniões divergentes ou ainda mensagens que pedem compartilhamentos.

Ilustração: Gary Neill/CrossCheck International

“Entendo a desinformação como um processo, que forma opiniões e convicções ao longo de um tempo, usando até informações verdadeiras, ainda que muitas vezes descontextualizadas”, diz o jornalista. 

Para estimular o hábito de verificar as informações antes de repassá-las, cinco perguntas podem ser feitas ao receber um conteúdo duvidoso:

1. Quem escreveu isso?

Qual é a fonte da mensagem que você acabou de receber? Primeiro, é importante questionar quem está por trás de um conteúdo. Se é uma pessoa desconhecida, desconfie. 

A mensagem que você recebeu foi publicada em um site? Olhe o endereço: é um site confiável, de um veículo de imprensa, órgão de governo ou instituição acadêmica? O texto que você leu tem assinatura? Textos escritos com letras maiúsculaserros gramaticais excessivos ou pontos de exclamação merecem ser vistos com cuidado. 

Se estiver em dúvida, pesquise sobre o autor desse conteúdo, ou analise seu perfil nas redes sociais. Essa pessoa é conhecida por espalhar conteúdo desinformativo ou hiperpartidário?

2. Qual o contexto?

Toda informação tem contexto. Provavelmente a história da mensagem que você recebeu é maior do que a que aparece no WhatsApp. Por isso, se você recebeu um conteúdo duvidoso, faça mais pesquisas sobre o assunto. Qual tem sido a cobertura jornalística em torno do tema? O que dizem órgãos sanitários, pesquisadores e especialistas?

3. Qual a intenção?

A partir da leitura e da reflexão, busque entender qual o objetivo da mensagem. Esse conteúdo te causa sentimentos de raiva, medo ou indignação? Muitas vezes, produtores de desinformação buscam mexer com sua reação emocional, para colocar você contra alguém, um grupo ou até uma ideia.

Veja se a mensagem ou o link se utiliza de linguagem sensacionalista, que apela para as emoções ou com muitos adjetivos. Pedidos de compartilhamento, o famoso “repasse sem dó”, também devem acender um alerta.

4. Essa mensagem tem alguma evidência como base?

Pergunte-se quais as evidências que baseiam a mensagem que você recebeu. Quais as fontes citadas? Um órgão governamental, um departamento de polícia, uma instituição acadêmica? Os números que aparecem na mensagem foram tirados de portais da transparência públicos, de uma pesquisa de opinião ou de um estudo científico? Procure o site oficial das fontes mencionadas: eles corroboram o que está dito na mensagem? 

Se o texto for vago, sem indicação de fontes confiáveis, data e local, desconfie.

5. Essa mensagem foi publicada em outro lugar?

Procure checar se a informação que você recebeu foi publicada em outros espaços da internet. Se viu o conteúdo duvidoso no WhatsApp, por exemplo, veja se a mesma alegação foi publicada em jornais. Caso você tenha lido em  site, verifique se existe alguma publicação sobre isso em perfis de órgãos governamentais.

Para Sérgio Lüdtke, do Comprova, ao mesmo tempo em que é necessário desconfiar de conteúdos que você recebe nas redes sociais, é importante saber em quais fontes você pode depositar sua confiança. Ele indica que as fontes seguras devem ser “potencializadas”. “Alguma dose de descrença é saudável, mas há limites e riscos em apelar à desconfiança. Melhor seria potencializar a confiança em fontes seguras, certificar a qualificação de alguma maneira”, explica.

Caso você ainda esteja em dúvida, muitos sites de fact checking têm canais no WhatsApp para receber denúncias de links, textos, imagens, vídeos e áudios suspeitos. A equipe do Estadão Verifica, por exemplo, recebe pedidos de checagens pelo WhatsApp: (11) 97683-7490.

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