Checamos a sabatina de Henrique Meirelles — veja o resultado
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Checamos a sabatina de Henrique Meirelles — veja o resultado

Com base no grau de veracidade ou ausência de compromisso com os fatos, declarações receberam uma 'nota'

Alessandra Monnerat e Caio Sartori

05 Setembro 2018 | 17h44

Estadão Verifica checou o discurso de Henrique Meirelles (MDB) na Sabatina Estadão-Faap, realizada na manhã desta quarta-feira, 5. Com base no grau de veracidade ou ausência de compromisso com os fatos, declarações receberam uma “nota”, expressa em uma escala de um a quatro “pinocchios”, nos casos em que não foram consideradas totalmente verdadeiras. Para aplicar essa gradação, o Estado se inspirou na sessão Fact Checker do jornal The Washington Post, publicada desde 2007.

O Pinocchio – boneco de madeira cujo nariz cresce quando conta uma mentira, segundo a história infantil criada pelo italiano Carlo Collodi  – também recupera capas históricas do antigo Jornal da Tarde, do Grupo Estado, que em 1982 publicou em diversas edições imagens de Paulo Maluf com o nariz dilatado, apontando inverdades do então governador.

“Fiquei oito anos (no governo Lula) e criamos 10 milhões de empregos viabilizados pela estabilidade econômica do País naquele momento.”

Verdade.

O número é ainda maior do que o citado por Meirelles. Nos oito anos do governo Lula foram criadas 15 milhões de vagas com carteira assinada. O total de trabalhadores no mercado formal era de 43,6 milhões. O índice de desemprego era de 5,7%, o menor da história do País — uma população desocupada de 1,3 milhão. Quando o petista tomou posse, em janeiro de 2003, o índice de desemprego calculado pelo IBGE em seis capitais estava em 11,2%.

No entanto, vale ressaltar que Meirelles era presidente do Banco Central, não ministro da Fazenda — cargo que ocupou no governo de Michel Temer. As funções do BC incluem o controle da inflação e a preocupação com a estabilidade financeira. A autarquia, vinculada à Fazenda, conduz as políticas monetária, cambial, de crédito e as relações financeiras com o exterior.

“Criamos 2 milhões de empregos no ano 2017 (período Temer).”

Meia verdade.

Em número de vagas formais, o saldo de empregos em 2017 foi negativo: foram fechados 20,8 mil postos de trabalho, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. O dado citado por Meirelles só faz sentido quando incluídos os empregos informais. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) mostra aumento de 1,8 milhão no número de pessoas ocupadas em dezembro de 2017, em relação ao mesmo mês do ano anterior. Ou seja, a estatística de Temer não pode ser comparada à geração de empregos de Lula, que criou 15 milhões de vagas formais.

A assessoria de Meirelles explicou que o dado citado pelo ex-ministro diz respeito a um comparativo entre março de 2017 e dezembro do mesmo ano, já que o início de um ano costuma ter resultados fracos. Nesse caso, o número está correto. De fato, o dado inclui empregos com carteira, sem carteira e por conta própria.

“O Brasil teve uma queda de PIB de 3,5%. Saiu de -3,5% para crescer 1,5% em 2017.”

Majoritariamente verdade.

Meirelles acertou ao dizer que o País vinha de uma contração de 3,5% do PIB em 2015 e 2016, auge da crise do governo Dilma Rousseff. No entanto, ele exagera ao dizer que cresceu 1,5% em 2017. O crescimento foi, na verdade, de 1% —  recuperação impulsionada pela safra recorde do agronegócio.

“O PIB chegou a cair mais de 5% em um ano (de maio de 2015 a maio de 2016).”

Majoritariamente verdade.

No acumulado dos quatro trimestres terminados em junho de 2016, segundo o IBGE, o PIB apresentou queda de 4,9% em relação aos quatro trimestres anteriores, que abarcam nove meses de 2015 e três de 2016. Meirelles exagera ao dizer que caiu “mais de 5%”.

“O crédito chegou a ser 20% do PIB e cresceu para mais de 40% do PIB (no período Lula).”

Verdade.

Em 2010, último ano do governo Lula, as operações de crédito correspondiam a 45% do PIB brasileiro, ante 23% no início da administração petista. Segundo um estudo encomendado pelo Estado em março daquele ano, o crédito foi responsável por 40% do crescimento do PIB de 2004 a 2009, contribuindo para a média de aumento de 4% ao ano. Sem um avanço tão radical do crédito, a média seria de 2,5% de crescimento anual no período.

 

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